Sugestão de filmes para escola

DAENS, UM GRITO DE JUSTIÇA – ( 132 min) -1ª Revolução industrial – Indústria Têxtil na Bélgica.

GERMINAL – (155 min) – 1ª Revolução Industrial – Minas de carvão na França.

O OVO DA SERPENTE – (120 min) – Filme de Bergman sobre o nazismo.

TERRA E LIBERDADE – (109 min) – Guerra Civil Espanhola. Direção de Ken Loach.

A BATALHA DE ARGEL – (115 min) – Revolução Argelina, 1962. Direção Gillo Pontecorvo. O mesmo diretor de QUEIMADA.

TEMPOS MODERNOS – (87 min) – Fordismo, desemprego, exploração de classe.

OUTUBRO – (105 min) – Filme de Sergei Eisenstein, de 1928, sobre a Revolução Russa de 1917.

O ENCOURAÇADO “POTEMKIN” – (74 min) – Eisenstein filma a insurreição dos marinheiros em 1905.

MORTE E VIDA SEVERINA – (60 min) – Poema de João Cabral dirigido por Walter Avancini.

O VELHO – A HISTÓRIA DE LUÍS CARLOS PRESTES – (105 min).

A TERCEIRA MARGEM DO RIO – (94 min) – Da obra “Primeiras
Histórias”, de Guimarães Rosa.

A MARVADA CARNE – (77 min) – Astúcia do matuto para conseguir a “carne do boi”. Excelente levantamento sobre o dialeto caipira.

LARANJA MECÂNICA – (132 min) – Projeção de sociedades decadentes na visão do diretor Stanley Kubrick.

VIDAS SECAS – (105 min) – Da obra de Graciliano Ramos, sobre os
retirantes nordestinos.

A HORA DA ESTRELA – (96 min) – Clássico de Clarice Lispector sobre ingênua nordestina em São Paulo.

O BALÃO BRANCO – (80 min) – Ano Novo iraniano, o contraste da ingenuidade infantil e a cruel realidade.

OS ÚLTIMOS REBELDES – (115 min) – Juventude, Nazismo.

1984 – (110 min) – Da obra de George Orwel, crítica ao stalinismo.

KOYAANISQATSI – (87 min) – Palavra usada pela tribo Hopi para designar “vida fora de equilíbrio”.

MORANGO E CHOCOLATE – (110 min) – Homossexualismo e a Arte em Cuba, abordagem humana entre dois amigos.

O CÓDIGO – (118 min) – Um filme sobre a violência nas escolas do EUA. Semelhantemente, alguns professores, em particular nos grandes centros urbanos brasileiros, têm se servido desse equivocado
expediente de dar respostas à violência, optando por métodos individualescos, entrando nas salas de aula, armados, não de idéias, mas de “oitão”. Este filme é extremamente violento, porém reflete a
crise do sistema educacional, nos EUA, obviamente como parte da crise mundial do sistema capitalista.

ANTES DA CHUVA – (115 min) – Conflitos étnico-religiosos entre macedônios e albaneses.

A CLASSE OPERÁRIA VAI AO PARAÍSO – (115 min) – Sindicalismo, operário-padrão italiano.

CABRA MARCADO PARA MORRER – (119 min) – Documentário sobre as ligas camponesas. Direção de Eduardo Coutinho. Aliás, o seu primeiro documentário.

RAIZ FORTE (MST) – (42 min) – Como se organiza uma invasão ao latifúndio.

PANTERAS NEGRAS – (119 min) – Organização revolucionária, a partir da questão racial.

ROSA LUXEMBURGO – (120 min) – A história da revolucionária polonesa, Alemanha, início do século XX.

PINK FLOYD IN THE WALL – (95 min) – Sob a direção de Alan Parker, uma abordagem intimista do superstar Pink.

ALMA CORSÁRIA – (115 min) – Amigos de infância e seus desdobramentos na luta política.

ONDE SONHAM OS FORMIGAS VERDES – (90 min) – Aborígenes australianos enfrentam o avanço tecnológico das companhias de mineração. Direção de Werner Herzog.

O HOMEM QUE VIROU SUCO – (92 min) – Migração nordestina, operário-padrão brasileiro. Legendado em inglês. Precisou ir para a América dos gringos para ser reconhecido como obra de arte. Amém para os críticos do cinema brasileiro.

PAGU – (115 min) – Modernismo brasileiro, militância política, mulher.

A GUERRA DO FOGO – (100 min) – Há 80 mil anos a briga das tribos pelo fogo.

BUENA VISTA SOCIAL CLUB – (105 min) – Lendários músicos cubanos, vivos, em show – 1998.

O INCRÍVEL EXÉRCITO DE BRANCALEONE – (116 min) – Humor e sátira para reconstituição histórica.

PÃO E ROSAS – (105 min) – Organização sindical dos latinos/faxineiros nos EUA. Direção de Ken Loach.

UMA CANÇÃO PARA CARLA – (122 min) – Revolução Nicaragüense enfoca uma história de amor. Direção de Ken Loach.

MEU NOME É JOE – (104 min) – Juventude, alcoolismo, drogas. Direção de Ken Loach.

SANDINO – (140 min) – História de Augusto César Sandino, revolucionário nicaragüense – década de 30. Direção de Miguel Littin, o mesmo de “ACTAS DE MARUSIA”.

ELES NÃO USAM BLACK-TIE – (115 min) – Sindicalismo brasileiro, mulher. Clássico do cinema brasileiro, direção de Leon Hirszman, adaptado da peça teatral de Gianfrancesco Guarnieri.

CHOVE SOBRE SANTIAGO – (109 min) – Golpe de Estado no Chile de Allende, em 11.09.73.

CRONICAMENTE INVIÁVEL – (103 min) – Caos da sociedade capitalista; no caso, a brasileira.

DANÇANDO NO ESCURO – (140 min) – Musical sobre o drama de uma operária têxtil no norte rural dos EUA.

A HISTÓRIA OFICIAL -(107 min) – Desaparecidos políticos na Ditadura Argentina.

NENHUM A MENOS – (106 min) – Menina de 13 anos substitui professor numa escola rural chinesa.

GIORDANO BRUNO – (116 min) – O ex-sacerdote enfrenta a Igreja e seus dogmas.

A MÃE – (85 min) – Filme baseado no livro homônimo de Máximo Gorki. Ao lado de Eisenstein, o diretor Vsevolod Pudovkin foi um dos grandes cineastas da década de 1920, na Rússia bolchevique.

UMA CIDADE SEM PASSADO – (92 min) – Alemanha, década de 70, escritora quer escrever sobre envolvimento de sua cidade com o nazismo.

NORMA RAE – (117 min) – A história da sindicalista norte-americana.

CABARET MINEIRO – (90 min) – Literatura, poesia, unidade palavra/som/imagem.

O ÓDIO – (95 min) – Juventude, violência urbana, xenofobia.

FAÇA A COISA CERTA – ( 120 min) – Um filme de Spike Lee sobre a juventude, violência urbana, racismo.

NÓS QUE AQUI ESTAMOS POR VÓS ESPERAMOS – (90 min) – Recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens do séc. XX.

FORMIGUINHAZ – (82 min) – Animação feita por computador; o filme, segundo nossa visão, enfoca os conflitos de um ingênuo ser (formiga Z), dentro de uma sociedade que transitaria – não fosse Z – da monarquia para o totalitarismo. Este verdadeiro conto de fadas, em que o herói sempre impõe a vitória do Bem sobre o Mal e, por isso mesmo, ainda que pobre, confuso, abobalhado, o herói acaba ficando com a princesa e seu reino, deixando transparecer a visão de que liberdade e felicidade humanas são atributos tão somente de sociedades economicamente representadas por duas torres gêmeas; por sinal, a última cena da película. Sem dúvida, argumentos de sobra para a discussão sobre colonialismo, opressão, contracultura e ideologia.

COM LICENÇA, EU VOU À LUTA – (85 min) – Adolescente desafia a hipocrisia moral da sociedade burguesa.

BICHO- DE- SETE- CABEÇAS – (88 min) – Juventude, Família, Drogas, Manicômio.

OUTRAS ESTÓRIAS – (114 min) – Da obra “Primeiras Estórias”. de
João Guimarães Rosa (Os Irmãos Dagobé; Famigerado; Substância; Nada e a nossa condição; Sorôco, sua mãe, sua filha. Direção subscrita por Pedro Bial. Riquíssima produção da Rede Globo; porém, algo nos faz supor que Cacá Carvalho está por trás dessa direção.

MISSISSIPI EM CHAMAS – (120 min) – Racismo, direitos humanos.

DESAPARECIDO – (116 min) – Chile do Golpe, Pinochet, 1973. Desaparecidos aos milhares. Um deles é americano, a CIA deve se explicar. Direção de Costa Gavras.

DOMÉSTICAS – (90 min) – Cinco domésticas, com as mesmas visões de paraíso, porém dividem o mesmo inferno: a profissão.

OS MISERÁVEIS – (131 min) – Da obra clássica de Victor Hugo.

TERRA ESTRANGEIRA – (100 min) – Brasil, década de 90. A trama policial, a história de amor, mas também o áspero retrato de nosso país.

HAIR – (120 min) – Esta produção da Broadway nos palcos causou a maior polêmica na década de 60. Pela 1ª vez atores nus, discutindo abertamente rock, sexo, drogas. Pano de fundo, a Guerra do Vietnã.

WOODSTOCK – ONDE TUDO COMEÇOU – (154 min) – Documentário sobre os 13 mitos do rock. A contracultura dos anos 60, numa fazenda, Woodstock, alugada para o evento.

REDS – (Duplo – 1ª parte: 115 min; 2ª parte: 77 min) – Da obra de John Reed “Os dez dias que abalaram o mundo”. Dentro do turbilhão de acontecimentos da Revolução Russa, há espaço para uma história de amor.

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER – (104 min) – Para quem está na área da Psicologia, um ótimo filme para analisar o comportamento de um jovem que ficou 18 anos sem contato com o mundo. E de repente se vê dentro dele (Nuremberg/Alemanha), sem saber falar, andar e pensar. Direção de Werner Herzog.

BEIJO – (100 min) – Baseado numa história real. Um beijo provoca uma demissão por justa causa. Cinema nacional, um elenco pra ninguém botar defeito.

BRAVA GENTE BRASILEIRA – (103 min) – Índios Guaicurus, famigerados cavaleiros, por volta de 1778 não aceitam os absurdos dos colonizadores portugueses. Se não houvesse tanta luta de resistência, tantas tragédias – como a do filme -, talvez não tivesse sobrado um único índio para contar a história de seu povo. Massacre inusitado no final, não de índios. De portugueses.

MEMÓRIAS DO CÁRCERE – (Duplo – 1ª parte: 112 min; 2ª parte: 73 min) – Da obra homônima de Graciliano Ramos, testemunho da época em que ficou preso na Ilha Grande (RJ). Contexto histórico: Estado-Novo, ditadura getulista, Graciliano é preso em Alagoas, onde exercia o cargo de diretor da Instrução Pública do Estado. Suspeito de colaborar com a ALN (Aliança Libertadora Nacional), taxado de comunista, é conduzido ao presídio. Direção: Nelson Pereira dos Santos.

INOCÊNCIA – (115 min) – Da obra homônima de Visconde de Taunay, uma história de amor que tem como pano de fundo um Brasil rural patriarcal, em que pais impunham às filhas os futuros maridos. Direção de Walter Lima Junior.

O CORTIÇO – (110 min) – Da obra homônima de Aluízio de Azevedo, final do século XIX, é o retrato da falta de moradia no Rio de Janeiro. Superexplorados, seus habitantes trabalham na Pedreira,
gastam no Armazém e pagam aluguel para um mesmo senhor, João Romão, que utiliza conhecidos métodos burgueses, incluindo o assassinato de Bertoleza, para ficar rico. Direção de Francisco Ramalho.

SÃO BERNARDO – (113 min) – Da obra homônima de Graciliano Ramos; Paulo Honório, de explorado ascende à condição de latifundiário. Todos se tornam mercadorias em suas mãos, inclusive a mulher, que, reagindo ao seu despotismo, conduz o enredo para um desfecho dramático. Direção de Leon Hirszman.

MENINO DE ENGENHO – (90 min) – Da obra homônima de José Lins do Rego, o filme retrata as angústias pessoais de um menino que, ao perder os pais em condições trágicas, é criado pelo avô, um aristocrata, proprietário do Engenho Santa Rosa. Além dos traços poéticos, o filme mostra a decadência econômica e social dos proprietários de engenho, engolidos pelas modernas usinas importadas da Europa. Direção: Walter Lima Junior.

MACUNAÍMA – (102 min) – A obra homônima de Mário de Andrade, é uma comédia – antropofágica – que, ao provocar risos, mostra o ridículo que se esconde por trás do racismo, a condição dos índios e como as diferentes classes sociais se entredevoram. Direção de Joaquim Pedro de Andrade.

ÓPERA DO MALANDRO – (100 min) – Da peça musical de Chico Buarque, inspirada na Ópera dos Três Vinténs, de Bertold Brecht. Década de 1940, Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro, o filme vai tecendo aos poucos a rede de malandragens de espiões, contrabandistas, chefes de polícia corruptos. Entretanto, o musical impõe uma absorção do trágico pelo cômico, e os espertos acabam sendo degolados pela própria esperteza. Direção de Rui Guerra.

QUEIMADA – (113 min) – Os horrores da escravidão levam seus habitantes a se organizar contra a exploração; de início, portuguesa e, depois, inglesa. Mostra como “os de cima” manipulam, para ficar de posse das riquezas. José Dolores é o produto desse livre mercado açucareiro, de escravo passa a homem livre (trabalhador), assim como toda a Ilha. De herói fabricado, torna-se verdadeiramente um
revolucionário e quer a liberdade plena do seu povo. Direção Gillo Pontecorvo.

BRASIL: MUITO ALÉM DO CIDADÃO KANE – (93 min) – Produzido pela BBC inglesa, o filme mostra como a Rede Globo tem crescido e influenciado politicamente nos rumos do país. Enfoca a “amizade”de Roberto Marinho com Juscelino, Jango, os presidentes militares, Tancredo e Collor, tendência que se consolida com os atuais presidentes, FHC, Lula e Cia.

E A LUZ SE FEZ – (105 min) – Na África, numa aldeia, vive, perpetuando costumes ancestrais, um povo feliz. Até a chegada de um grupo de guardas florestais. Direção de Otar Iosseliani.

VIDA DE INSETO – (102 min) – Esta animação computadorizada pode levar a um animado debate sobre a opressão, apesar da presença da Disney, tentando tudo justificar com a polarização bem/mal. O filme salva-se, no entanto, distanciando-se das baboseiras do gênero que costumamos ver na TV. Pode provocar debate também entre alunos do ensino médio. Depende da abordagem.

KIRIKU E A FEITICEIRA (90 min) – Temas universais como opressão, solidariedade, auto-estima, também presentes neste desenho animado. O enredo é simples, também na linha maniqueísta. Os argumentos são tirados de uma lenda africana. Kiriku, apesar do ínfimo tamanho é o máximo em bondade, esperteza, tolerância e outros atributos não inerentes ao conjunto dos seres humanos. Direção de Michel Ocelot, um estudioso da arte animada. Não deixa por menos, vai do universo
infantil, ao juvenil e adulto. Prova de que é possível fazer Arte sem utilizar o argumento da violência banalizada.

FAHRENHEIT 451 (111 min) – Sob a direção do consagrado cineasta francês François Truffaut, trata-se de um filme para os que gostam de livros. Fahrenheit 451 é a temperatura ideal para a queima de livros. Decorá-los – inteiros, por sinal – vem a ser a metáfora de quem resiste à opressão, ao totalitarismo daqueles que pretendiam reduzir a cinzas o pensamento crítico. Valia para os de lá; vale, agora aos de cá. Aos gringos do Norte, que, ao invés de lança-chamas, utilizam lança-bombas.

POLICARPO QUARESMA, O HERÓI DO BRASIL – (123 min) – Filme extraído do romance de Lima Barreto. Do idealismo ao nacionalismo, Quaresma é levado ao paredão, seu triste fim. O fim de todos os idealistas que buscam saídas para exterminar as desigualdades sociais. O nacionalismo/idealista ou a organização coletiva, internacionalista? Um bom debate.

AMORES BRUTOS -(153 min) – O cinema mexicano retratando a barbárie das grandes metrópoles. Neste filme, a violência passa a ser o recurso utilizado pelo diretor para escancarar a linha divisória entre o animal que se humaniza e o humano que se bestializa. Por humano, leia-se, modernidade. De um lado, El Chivo, os cachorros e o resgate da dignidade. De outro, os sócios-empresários, o apego ao dinheiro e a degeneração individual e social. Direção do competente Alejandro Gonzales Iñarritu.

IRACEMA, A VIRGEM DOS LÁBIOS DE MEL – (100 min) – Filme inspirado na obra homônima de José de Alencar. A visão romântica idealizada numa índia ingênua, carregada de sensualidade. O colorido da paisagem nos remete ao texto prosaico/poético, não restando dúvidas de que literatura e cinema andam de mãos dadas.

A MORENINHA – (96 min) – Baseado no romance de Joaquim Manuel de Macedo, o filme não deixa por menos; mostra uma Carolina questionadora, inquieta e voluntariosa, carregada do sentimento
amoroso, a metáfora da adolescente de todas as épocas.

BRÁS CUBAS – (110 min) – Júlio Bressane, um dos mais polêmicos diretores do Cinema Novo, traça a trajetória de Brás Cubas, o satírico personagem criado por Machado de Assis na célebre obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

A MAÇÃ – (86 min) – O filme é a história de duas irmãs gêmeas, iranianas, que passam 11 dos seus 13 anos, literalmente enjauladas. O pai, responsável pela “obra”, já que a mãe é cega, acha que isso,
segundo o Alcorão, é o mais razoável. Paralelos a este filme temos “O Enigma de Kaspar Hauser” ou “Pai Patrão”. Segundo a opinião crítica do jornal “O Estado de São Paulo”, “A Maça” é uma metáfora da prisão da mulher e uma ode à liberdade.

GUANTANAMERA – (101 min) – De Guantanamo a Havana, um cortejo fúnebre se transforma em uma cômica viagem que irá mudar o destino de todos. Os mesmos diretores de “Morango e Chocolate” deixam evidente a mesma crítica à burocracia estalinista cubana.

SALVADOR, O MARTÍRIO DE UM POVO – (120 min) – O diretor é Oliver Stone. Década de 1980. El Salvador, em plena guerra civil. Em meio à violência, cenas carregadas de lirismo, característica do povo latino. Bom filme para discutir o pertinente assunto na América Latina.

KIDS – (96 min) – Um excelente material para abordar temas polêmicos como drogas, AIDS, prostituição infantil, até mesmo em classes de 5ªs séries. Filmado em 1995, não perdeu a atualidade. Nem nos EUA, nem aqui, já que o descaso com o ensino público tem permitido uma ofensiva desenfreada da violência dentro das escolas e fora delas.

DANTON, O PROCESSO DA REVOLUÇÃO – (131 min) – França, final do século XVIII. “O Terror”, instaurado por Robespierre encontra em Danton um opositor. Decorridos apenas quatro anos da “Revolução Francesa”, o filme mostra a tirania dos que antes falavam em “Liberdade/Igualdade/Fraternidade”. A história se repete e, como sempre; a corda rói do lado mais fraco. Danton perde a cabeça na guilhotina.

UM ESTRANHO NO NINHO – (129 min) – O crônico tema da repressão dentro dos manicômios, judiciais ou não. Produzido em 1975, premiado entre os dez melhores filmes de todos os tempos, o filme não perdeu a atualidade. Pelo contrário, o filme nacional, de 2001, “Bicho de Sete Cabeças”, é a expressão real de que este tema só sairá da atualidade, quando estas sórdidas instituições forem extintas. A luta antimanicomial deve ser levada a sério por todos os que reivindicam um mundo humano e igualitário.

LUZES DA CIDADE – (87 min) – Filme de Charles Chaplin. Aqui Carlitos se apaixona por uma florista cega. E se expõe ao clarão das luzes para conseguir grana para restaurar a visão da florista. A cena
de reconhecimento do benfeitor é de uma singeleza incomparável. Marca registrada de Charles Chaplin, o eterno Carlitos.

O GRANDE DITADOR – (128 min) – Crítica ao nazismo. E o talento de Charles Chaplin ao temperar humor com sátira para caricaturizar o ditador Hyn Kel, alter-ego de Hitler. Destaque para o discurso final que, por si só, valeria todo o filme.

QUANDO TUDO COMEÇA – (117 min) – Filme francês sobre a educação pública infantil (pré-escola). Semidocumental, o diretor Bertrand Tavernier utiliza histórias reais, contadas pelos professores. É a
França do desemprego, da miséria e da indiferença do governo em relação ao serviço público. E um professor lutando contra tudo isso. Filme produzido em 1999.

REPÚBLICA GUARANI – (100 min) – Direção de Sylvio Back. O melhor comentário para este filme quem fez foi Pola Vartuck, jornalista de “O Estado de São Paulo”, em set/82: “… E é precisamente por levantar essa questão do genocídio cultural – implícito em qualquer tentativa, presente ou passada, de integrar o índio à chamada “civilização” – que República Guarani se torna o mais importante filme sobre os índios até hoje realizado no Brasil,…”

REVOLUÇÃO DE 30 – (100 min) – Documentário de Sylvio Back sobre este período histórico no Brasil.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS – (102 min) – Adaptação do romance de Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cubas” – Direção de André Klotzel.

CORAÇÃO DE CRISTAL – (97 min) – Um filme de Werner Herzog. Mais uma obra-prima desse mestre do cinema alemão. O filme por si só vale pela condensação de metáforas expressas nos recursos de filmagem.

O RAP DO PEQUENO PRÍNCIPE CONTRA AS ALMAS SEBOSAS – (75 min) – Um documentário sobre Helinho, um justiceiro de 21 anos, conhecido na cidade como “O pequeno príncipe”. O oposto a essa bandidagem é Garnizé, integrante da banda rap “Faces do Subúrbio”, do mesmo município onde moram os dois – Camaragibe, PE. Porém, há um elemento que os iguala: a violência diária das periferias das grandes cidades brasileiras. Os Racionais MC’s também estão presentes. Filme de 75 minutos, ótimo para debate com adolescentes.

SANTO FORTE – (100 min) – Documentário de Eduardo Coutinho, o mesmo diretor de “Cabra Marcado para Morrer”. “Enquanto falam de suas experiências místicas, os personagens deixam transparecer nas franjas dos discursos os mais graves problemas sociais”. (Ricardo Coto –
Jornal do Brasil)

SONHOS – (119 min) – Um filme de Akira Kurosawa. Trata-se de oito episódios, em que a fotografia, a poesia cinematográfica penetra profundamente em nossos sentimentos. Como Herzog, Kurosawa, neste filme, transforma em metáforas os recursos visuais de filmagem.

MAUÁ – O IMPERADOR E O REI – (135 min) – A vida de Irineu Evangelista de Souza, o Visconde de Mauá, e sua influência política no Brasil que, naquela época, vivia sob as rédeas da Inglaterra.

ARQUITETURA DA DESTRUIÇÃO – (120 min) – “Consagrado internacionalmente como um dos melhores estudos já feitos sobre o nazismo… O filme de Peter Cohen (sueco) lembra que chamar a Hitler de artista medíocre não elimina os estragos provocados pela sua estratégia de conquista universal. O veio artístico do arquiteto da destruição tinha grandes pretensões e queria dar uma dimensão absoluta à sua megalomania” – (Leon Cakoff – crítico de cinema).

O JARRO – (95 min) – Filme iraniano, mostra a ingenuidade, a simplicidade e a franqueza de um professor e alunos numa aldeia do deserto, a partir do momento em que o Jarro, que deposita a água para matar a sede da criançada, se quebra. Uma mobilização que se transforma em poesia.

TAINÁ, UMA AVENTURA NA AMAZÔNIA – (90 min) – O enredo é o de sempre, os bons e os maus. E, óbvio, o bem sempre leva a melhor. Um filme sobre ecologia, a proteção aos animais. Simples, sem comprometer. Bem melhor que as bobageiras da Xuxa e similares.

FERNÃO CAPELO GAIVOTA – (98 min) – Fotografia muito bonita e música de Neil Diamond. O filme é a metáfora da liberdade. Fernão é a gaivota e suas asas não têm limites…

LUZES DA RIBALTA – (148 min) – Calvero (Chaplin), um comediante alcoólatra se apaixona por Teresa, uma bailarina deprimida. Um filme sobre a depressão individual (psicológica) de dois artistas que buscam a sobrevivência no mundo artístico. Por outro lado, aborda a depressão política, o período de caça às bruxas, nos EUA, período em que Chaplin, acusado de comunista, vai viver o resto de seus dias na Suíça.

O GAROTO/OS OCIOSOS – (80 min) – Dois filmes, em 80 minutos. O Garoto é um clássico, o pequeno travesso (Jackie Coogan) e as andanças do peculiar vagabundo (Carlitos). Os Ociosos, a história do rico e o pobre, ambos ociosos.

O CIRCO – (70 min) – Filme de 1928. O vagabundo Carlitos é confundido com um ladrão e vai se refugiar num circo.

PAI PATRÃO – (110 min) – É a história, relato verídico, da vida de Gavino Ledda, camponês da Sardenha (Itália). É a luta de um garoto/adolescente contra o autoritarismo de um pai que não teve
acesso à cultura. Instruir-se para combater a ignorância, o objetivo de Gavino.

ANOS REBELDES – (Duplo- 1ª parte: 156 min; 2ª parte: 140 min) – Um seriado da Globo em, mais ou menos, 5 horas. Uma abordagem histórica da ditadura militar, protagonizada por jovens da classe
média brasileira VINÍCIUS – (73 min) – Participação especial: Toquinho. Convidados: Quarteto em Cy, Tom Jobim e Miúcha.

EU TU ELES – (102 min) – Direção Andrucha Waddingtor. A história de Darlene e seus três maridos. A realidade de um Brasil, de ontem e de hoje.

MATRIX – (135 min) – Uma aventura cibernética, onde a Terra foi totalmente dominada por máquinas dotadas de inteligência artificial.

A CAMINHO DE KANDAHAR – (85 min) – A história de uma jornalista afegã refugiada no Canadá, fugindo do regime talibã. Decide voltar, à procura da irmã que opta pelo suicídio, antes da chegada do eclipse solar. Uma corrida contra o tempo. O Afeganistão, com suas cidades, ruas, vielas, deserto, ao vivo. Filme produzido antes da derrubada das torres gêmeas.

CHICO MENDES – (43 min) – Dizia o seringueiro que não será com grandes funerais ou manifestações de apoio que iremos salvar a Amazônia. “Eu quero viver”, palavras ditas alguns meses antes de sua morte. Chico Mendes foi assassinado dia 22/12/88, a mando do grande
latifúndio.

THE DOORS – (136 min) – Direção de Oliver Stone. A vida de Jim Morrison, um poeta do rock’n roll. EUA, década de 60, o filme garante a trilha sonora da banda.

GAIJIN – OS CAMINHOS DA LIBERDADE – (115 min) – Um filme sobre a imigração japonesa, garante o debate sobre a organização sindical rural, a questão da mulher e, sobretudo a saga do migrante que pretende se ver livre da exploração capitalista.

TERRA DE NINGUÉM – (98 min) – Três soldados, um sérvio e dois bósnios, dentro de uma trincheira, uma verdadeira ilha entre os fogos inimigos, tendo suas vidas manipuladas pelas manobras da ONU. Direção Danis Tonovic.

O NOME DA ROSA – (130 min) – Século XIV. Um filme sobre a inquisição e o que se chama heresia é a realidade que a Igreja quer ofuscar, apagar da História a própria História. O filme é o testemunho
dessa arquitetura da destruição.

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS – (89 min) – Da obra homônima de George Orwell, uma alegoria para criticar o estalinismo. O filme pode ser um excelente material para debate sobre ideologia, contracultura, já que tem objetivo claro de defender o capitalismo, como o único regime depois da derrocada do que se chamava “socialismo real”.

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA – (110 min) – O filme retrata a vida de Zezé, um garoto de 6 a 7 anos, enfrentando a dura realidade, imposta pela pobreza, mas sensível, a ponto de perceber a riqueza afetiva e cultural que há naquilo que passa imperceptível para a maioria dos adultos, o pé de laranja lima, a amizade com o “Portuga”, com o músico e a professora. A pieguice de José Mauro de Vasconcelos, autor da obra homônima, pode ser aproveitada para um pertinente e oportuno debate
sobre a infância de Zezé e a vivenciada pelas crianças de hoje, em que o pé de laranja lima foi substituído pela TV ou computador.

YNDIO DO BRASIL – (70 min) – Pelo título, percebe-se o sarcasmo e a ironia, características de todo o filme. Colagem de dezenas de filmes nacionais e estrangeiros (de ficção, cine-jornais e documentários), revelando como o cinema vê e ouve o índio brasileiro, desde quando foi filmado pela 1ª vez em 1942. Direção: Sylvio Back.

THE COMPLEAT BEATLES – (119 min) – Um documentário que dá conta da história dos Beatles.

CAPITÃES DA AREIA – ( Duplo- 1ª parte: 120 min; 2ª parte: 120 min) – A obra literária de Jorge Amado retrata crianças de rua de Salvador nas décadas de 1940/1950. O filme traz imagens de uma
Salvador mais atual, parecendo série de TV, como foi inicialmente “Auto da Compadecida”. Mas isso não tira o mérito do filme, que poderá ser aproveitado para temas como violência, delinqüência juvenil, Febem’s, etc.

A INCRÍVEL MÁQUINA HUMANA – (52 min) – Um documentário da National Geographic Vídeo. Recomendável aos professores de ciências/biologia.

SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS – (128 min) – Direção de Peter Weir, o filme é recomendável para as áreas da pedagogia, literatura (em especial, a poesia).

MALCOM X – (Duplo: 1ª parte: 110 min; 2ª parte: 70 min) – Baseado em fatos reais, o filme retrata a vida do carismático líder negro, durante as décadas de 1950 e 1960.

VIVA ZAPATA! – (111 min) – Emiliano Zapata, revolucionário mexicano, líder camponês, responsável pela derrubada de Porfírio Dias. Filme de 1952, em preto e branco. Direção de Elia Kazan.

AS LIBERTÁRIAS – (120 min) – Guerra Civil Espanhola, mulheres anarquistas, revolucionárias dizem não à orientação da militarização ser atributo exclusivo dos homens. Dão um “chute nas panelas” e vão para o front, de armas em punho. Mulheres – uma freira, prostitutas, guerrilheiras – todas unidas em torno de princípios libertários. Direção: Vicente Aranda.

ESTADO DE SITIO – (110 min) – Ditadura militar, década de 70, Uruguai. Tupamaros, guerrilheiros, marxistas, seqüestram um norte-americano, quadro da CIA, responsável pelos cursos de tortura na
América Latina. A orientação dos EUA é o endurecimento para não haver trocas e Montevideo é sitiada. Direção Costa Gavras, mais uma vez retratando em filme um fato real.

CORONEL DELMIRO GOUVEIA – (92 min) – A história de um homem que não vendeu o povo brasileiro. – Filme bastante premiado em 1979. Delmiro Gouveia, um pioneiro da indústria nacional, constrói em pleno sertão pernambucano uma indústria têxtil. Aos poucos, vai percebendo que o capital estrangeiro constrói, e ao mesmo tempo destrói, não importando se afeta ou não a vida dos trabalhadores. Aos poucos, percebe que ao capitalista o que interessa é o lucro e o controle do
que chamam livre mercado. A resistência, a recusa em deixar centenas de trabalhadores desempregados, caso vendesse a fábrica para uma “multinacional” inglesa, custa-lhe a vida. Direção de Geraldo Sarno.

GUERRA DO BRASIL – (82 min) – Mais um filme do consagrado diretor Sylvio Back. O título é irônico, pois cerca de um milhão de pessoas morreram neste conflito armado – que a nossa história registra como Guerra do Paraguai – envolvendo além do Brasil e Paraguai, a Argentina e o Uruguai. Não constam nas estatísticas históricas que a maioria dos mortos tenham sido brasileiros.

CANUDOS – (63 min) – Documentário de 1978, sob a direção de Ipojuca Pontes. A história de luta de Antônio Conselheiro e a gente do sertão, no final do século XIX, com depoimentos de testemunhas
oculares.

IMAGINE JOHN LENNON – (110 min) – O melhor documentário sobre a vida do poeta, compositor e cantor, o cérebro dos Beatles. Feito com a ajuda dele próprio e de Yoko Ono, que colocaram à disposição de David L. Wolper (produtor) e de Andrew Solt (diretor) a fabulosa coleção particular, contendo filmes inéditos, tapes, entrevistas de rádio e TV, pequenos curtas, etc.

JIMI HENDRIX: EXPERIENCE e JIMI HENDRIX AT WOODSTOCK – (56 min) – Dois filmes numa só fita, resgatando a contestação de Jimi Hendrix, que ainda se faz presente no interior da juventude atual. Diante de um mundo de exploração, injustiças e guerras, os jovens perplexos, mas não calados imitam a guitarra de Hendrix, fazendo o maior barulho, contra o imperialismo e globalização da miséria.

ROBINSON CRUSOE – (95 min) – Produção e direção russa da obra de Daniel Defoe. É a história de Robinson e Sexta-Feira, seu único amigo, numa ilha, localizada nas costas da Venezuela, durante 28 anos.

O GUARANI – (91 min) – Filme baseado no romance de José de Alencar. Direção de Norma Bengell.

A GREVE – (95 min) – Em 1924, o jovem Sergei Eisenstein, então com 26 anos, dirigiu o filme que mudaria a estética do cinema soviético. A Greve, conflito entre operários e patrões/polícia na Rússia Czarista.

O CASO DOS IRMÃOS NAVES – (93 min) – Um drama verídico e violento de dois irmãos envolvidos num trágico erro judicial ocorrido em Araguari, nos anos 30, que traumatizou o país. Direção Luís Sérgio Person.

ANTES DO ANOITECER – (133 min) – Um filme baseado das Memórias de Reinaldo Arenas, artista cubano, exilado, na luta por sua liberdade como escritor e como homossexual. Crítica contundente ao regime cubano. Direção: Julian Schnabel.

GUERRA DE CANUDOS – (160 min) – Sob direção de Sérgio Resende, o filme enfoca paralelamente dois enredos: um, Antônio Conselheiro e a organização comunitária de Canudos; outro, Luíza, que se prostitui e vive o drama de ser contra os monarquistas, porque não gostava do Conselheiro, porém estar a favor dos republicanos significaria concordar com a morte de seus pais e a irmã que viviam no Arraial de Canudos.

DURO APRENDIZADO – (127 min) – Temática: questão racial, sexismo. O conhecido diretor John Singleton, responsável por “Os Donos da Rua” e que costuma abordar temas sociais, retoma atualizadas polêmicas como cotas para estudantes carentes, neonazismo e franco-atiradores dentro de escolas. A América de Colombo ( no filme, campus fictício da Universidade Columbia ) e seu mundo de ansiedade e tensões entre os jovens. Crise não só econômica, mas política e sócio-cultural do capitalismo. e que se estende para o mundo todo. Basta acompanhar cenas de violência nas escolas do ensino fundamental e médio da América Latina.

SEM DESTINO (EASY RIDER) – (91 min) – Este é o clássico filme da década de 1960, que refletiu as atitudes e comportamento de uma geração que utilizava os mais variados recursos para denunciar a
hipocrisia de uma nação que lançava toneladas de bombas no Vietnã. A cena final do “extermínio” dos dois motoqueiros (Peter Fonda e Dennis Hoper) é antológica: com os dois corpos mutilados, “voam aos ares” a ideia de que os EUA são o berço da democracia e liberdade.

PONTO DE MUTAÇÃO – (120 min) – Direção de Bernt Capra. Uma cientista, um político e um poeta, visivelmente decadentes, frente a frente discutindo a inter-relação entre política, ecologia e física
quântica; ou seja, entre a Ciência, o Homem e a Natureza. Pano de fundo: um cenário relevante e irônico, um castelo medieval, ilhado pela maré de um mar poluído. Como tudo isso se encaixa e para onde vai? Este é o questionamento. Muito bom para debate entre alunos de ensino médio.

LÚCIO FLÁVIO – O PASSAGEIRO DA AGONIA – (120 min) – Um filme da década de 1970, mas o retrato atualizado do crime organizado em metrópoles como São Paulo e Rio. Lúcio Flávio, um dos mais famosos criminosos da crônica policial da época, dias antes de ser assassinado na prisão, revela nomes dos “grandões” do submundo do crime. A violência está presente, sem, no entanto, ser banalizada. Direção: Hector Babenco.

DOCES PODERES – (98 min) – Brasília, período de eleições, o bastidor desse mundo marcado pela astúcia, hipocrisia e corrupção. Em meio ao vendaval, uma jornalista, que se propõe séria e imparcial.
Filme similar é “Brasil: muito além do cidadão Kane” (documentário) que mostra o poderio da Globo do Sr. Roberto Marinho e o que este “aparelhinho” pode fazer com a sua opinião.

2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO – (136 min) – Direção de Stanley Kubrick, um marco na história de filmes de ficção científica.

GANGA ZUMBA – O REI DE PALMARES – (100 min) – No Brasil do século XVII, a ânsia de libertação fermenta entre os escravos dos engenhos submetidos à brutal colonização portuguesa. Surge Zumbi e a República de Palmares, o primeiro grito negro de liberdade para enfrentar a opressão desse capitalismo inicial no Brasil.

CHICO REI – (115 min) – Diz a lenda que Chico Rei foi o primeiro negro proprietário do Brasil, não de um pedacinho de terra, mas de uma mina de ouro, cujos dividendos permitiram a sua alforria e de outros escravos. Seu filho, companheiro de navio-negreiro da África ao Brasil, no entanto, opta pela organização em quilombo, convencido de que liberdade não se compra, se conquista. A Igreja entra como intermediária nessa polêmica. Filme exuberante em coreografia, música, dirigido por Walter Lima Junior.

QUILOMBO – (119 min) – Filme sobre Ganga Zumba e o afilhado Zumbi. Trata-se de um musical, uma ópera popular, como afirma o diretor Cacá Diegues. É a história de Palmares e sua resistência
ativa, armada. Um bom filme para desmascarar o fetiche em torno dos bandeirantes. Aqui, o enfoque é sobre o conhecidíssimo matador de índios e negros, Domingos Jorge velho, representante da violência e opressão portuguesa em Palmares.

BIOGRAFIA DE CHE GUEVARA – (90 min) – Dois documentários da TV Mundo e Peoples and Arts, com 45 minutos cada. Num deles, aparece, comentando, Lee Anderson, um dos maiores biógrafos de Che.

GANDHI – (Duplo: 1ª parte: 97 min; 2ª parte: 80 min) – Utilizando o método da resistência passiva, Gandhi põe fim à dominação inglesa. Filmado na Índia, direção de Richard Attenborough. Argumentos para a atual polêmica: Índia/Paquistão/Caxemira.

AMERÍNDIA – (40 min) – Documentário de 40 minutos sobre os índios do Xingu e dos altiplanos boliviano e peruano. Roteiro: D. Pedro Casaldáliga e José Oscar Beozzo.

RAINHA MARGOT – (139 min) – França, século XVI, devastada pela briga religiosa entre católicos e protestantes. Catarina de Médicis, mãe de Margot, é responsável pela fatídica noite de São Bartolomeu, em que milhares de protestantes são massacrados nas ruas de Paris. Margot
rebela-se contra a manipulação da mãe, que utiliza o casamento da filha como pretexto para a matança.

AMISTAD – (154 min) – Uma história real levada às telas por Steven Spielberg. Aprisionados, os escravos africanos, no entanto, se apoderam do “La Amistad”. O navio é recapturado e os negros levados a julgamento nos EUA. Aos gringos interessava a polemica sobre o sistema Judicial. Aos negros, expostos como feras no Tribunal interessava somente a liberdade. A cena inicial vale todo o filme.

O INVASOR – (97 min) – Um filme sobre a violência – não a do narcotráfico nos morros, como em “Cidade de Deus” – mas a da classe média, gananciosa e sem escrúpulos. Sócios de uma grande empresa construtora se desentendem e partem para a eliminação física. Direção
de Beto Brant.

BYE BYE BRASIL -(103 min) – Cacá Diegues, o diretor, aponta como eixo, segundo ele mesmo, o tema da amizade, da solidariedade. Porém, é evidente o enfoque social: a rodovia Transamazônica, “menina dos olhos” dos ditadores militares, visava espichar o Brasil para o Norte, à custa dessa obra faraônica que custou aos cofres públicos milhões de dólares. O contraste aparece numa Transamazônica inacabada e os meios de comunicação, em especial a TV, estendendo suas “espinhas de peixe”, em praças e logradouros públicos, engolindo a “Caravana Rolidei” e todas outras variantes da arte ambulante. Ainda que antenas de rádio e TV tenham encontrado solo fértil, esta região sobrevive com os piores indicadores sociais, culturais e econômicos. Bye Bye Brasil!

VIVA MÉXICO – (80 min) – Um filme iniciado por Eisenstein concluído por seu amigo e colaborador Grigory Alexandrov. Pano de fundo: a História milenar do México, o povo mexicano e suas tradições.

ELIS – (66 min) – Uma mistura de Falso Brilhante, Transversal no Tempo e outros shows no Teatro Bandeirantes. Para quem gosta de Elis e da magia que a sua voz provoca nas sílabas e palavras.

Z – (127 min) – Uma mistura de “Estado de Sítio” e “Desaparecido”. Ao remontar Histórias reais, o cineasta tornou-se odiado pelos ditadores latinos, como nos dois filmes acima. Z, proibido no Brasil durante 15 anos, enfoca a ditadura na Grécia.

ABRIL DESPEDAÇADO – (99 min) – Direção de Walter Salles, o mesmo de “Central do Brasil”. Como este, produzido para disputar o Oscar, bem representado pela qualidade das interpretações. O filme “Cidade de Deus” mostra uma garotada (atores) desconhecida, mas cheia de talento. Este não deixa por menos: Pacu dá um show de interpretação e poesia. O enredo gira em torno de uma luta ancestral entre famílias pela posse de terra. Pacu e Tonho questionam a lógica dessa violência, perpetuada pela tradição.

CIDADE DOS HOMENS – (124 min) – Estes quatro episódios, produzidos pela Rede Globo, “invadem os lares” com o palavrão, o narcotráfico e o crime, realmente organizado, com macaquinhas,
metrancas e oitões na cintura de jovens e “babões”. Para ganhar índices de audiência, a Globo investiu na Galera que dirigiu “Cidade de Deus”, acompanhada de excelentes roteiristas, como Jorge Furtado. Bom para debate com alunos de 5ª ao 3º do ensino médio. A escola pública – no filme (e na real), único serviço público prestado pelo Estado – tenta minimamente cumprir a função de “dar estudo” para que a garotada não entre para a galera do Mal, mas o depoimento de um dos
dois garotos protagonistas e que está freqüentemente oscilando no pêndulo do Bem e do Mal, é marcante sobre o poder paralelo: “Aqui é a fronteira entre lá (a cidade) e aqui (o morro). Lá é um país, aqui é outro. Esses daí (os policiais) são os guardas da fronteira de lá e esses daqui (a bandidagem) os da fronteira de cá. Lá, eles (os habitantes do Rio) escolhem quem mandam neles e aqui eles (os moradores do morro) já estão escolhidos”.

PABLO NERUDA E FEDERICO GARCIA LORCA – (96 min) – 90 minutos, 45 cada, de poesia e arte, engajadas. De quebra, Luis Buñnel e Salvador Dali. Produção da TV Cultura/SP.

EM NOME DE DEUS – (105 min) – Século XII, uma história de amor: Abelardo, o mestre em teologia com votos de castidade e Heloísa, aristocrata erudita. Os amantes, cultos e sensíveis, defrontam com a truculência da aristocracia e o clero.

UM GRITO DE LIBERDADE – (151 min) – Baseado em fatos reais, a História da amizade de Donald Woods, editor branco de um jornal liberal na África do Sul, e Steve Biko, ativista negro, contemporâneo de Mandela. Diferentemente deste, Biko via a luta contra o apartheid
como parte da luta anticapitalista. Por diferenciar também em métodos, não bastou a prisão. Foi brutalmente torturado. O filme, metodologicamente dividido em duas partes, narra, a partir do
assassinato de Bike, a fuga ilegal, pois também caiu na lei do banimento, de Donald Woods, para a Inglaterra, para publicar em livro a visão, influenciada por Biko, que tinha sobre os horrores do
apartheid. Um dos primeiros ativistas negros, a idéia da “Consciência Negra” foi de Biko. Bom para debate sobre este tema.

SAGARANA, O DUELO – (98 min) – Sagarana é um livro de contos de Guimarães Rosa. Duelo faz parte da coletânia, ao lado de “A Hora e a vez de Augusto Matraga”, que também virou filme. Mas esta direção de Paulo Thiago é brilhante, muita coerência entre o texto literário e o filme.

AGONIA E ÊXTASE – (134 min) – O renascimento visto do teto da Capela Sistina, herança de um dos maiores de seus mestres: Michelângelo. A antítese do título é a expressão da vida profissional
e amorosa do escultor que se recusava a pintar, ainda que o pedido viesse do Papa, Julio II. Diálogos filosóficos exuberantes, além do enfoque sobre as guerras envolvendo a Igreja.

LAMARCA – (130 min) – Sérgio Rezende sacaneou Antônio Conselheiro no filme “Guerra de Canudos”; primeiro, por secundarizar a História de Canudos; segundo, por caracterizar o Conselheiro como um fanático religioso de segunda categoria, um monarquista inconseqüente. Não deve ter lido “Os Sertões”, de Euclides da Cunha. Como diretor, fez o mesmo com Lamarca, enfatizando em demasia o perfil militar do capitão que desagregou o exército e parte dos FFAA. Lamarca não foi somente um exímio atirador; leitor do marxismo, rompeu com o exército, após constatar que a raiz da pobreza árabe ou brasileira estava na ganância dos países imperialistas, sempre fomentando conflitos para faturar em cima da indústria armamentista. Esteve no Canal de Suez, a serviço do exército brasileiro. Esse episódio ampliou-lhe a visão internacionalista da luta de classes. Essas escorregadas, voluntárias, por sinal, servem para aprofundar o debate. Inclusive sobre o financiamento público desses filmes da era FHC.

GALILEU GALILEI – (162 min ) – Este filme tem por base a peça homônima de Bertold Brecht, dramaturgo alemão, que pensava a Arte, no caso o teatro, de forma engajada; isto é, como instrumento de reflexão. Isso se dá claramente no filme e os comentários de Fernanda Torres facilitarão essa percepção. Direção de Joseph Losey.

THE CHOSEN – (106 min.) – Baseado em fatos reais, dois jovens, descendentes de judeus, nos EUA. Além da questão religiosa – a fé, o filme aborda, com detalhes, algumas polêmicas, como a criação do Estado de Israel, no pós-guerra/1945. Direção: Jeremy Paul Kagan.

1492 – A CONQUISTA DO PARAÍSO… (150 min) – A descoberta da América por Cristóvão Colombo e suas quatro viagens ao Novo Mundo. Uma parceria da Coroa espanhola ( Rainha Isabel) e setores da burguesia emergente, compreendendo desde já que expansão marítima é sinônimo de acumulação. Direção de Ridley Scott constrói um Cristóvão idealista, respeitador das questões indígenas, contradizendo a História de massacres e genocídios, ocorrida nestes últimos 500 anos de América Latina. Bela trilha sonora.

SPARTACUS – filme duplo: 1a parte (105 min) 2a parte (84 min) – Um excelente filme sobre o escravismo, na época de Roma/República. O roteirista Dalton Trumbo, perseguido pelo macartismo, assim como Kirk Douglas, o Spartacus, aborda vários temas, mas há destaque especial para a solidariedade. Direção de Stanley Kubrick.

BILLY ELLIOT- (110 min) – O pano de fundo é a greve dos mineiros na Inglaterra, na década de 1970, um dos principais enfrentamentos ao projeto neoliberal de Margaret Thacher, a “Dama de Ferro” do parlamento inglês. Billy, filho de grevista viúvo, propõe-se a dançar ballet. Enfrenta o machismo do pai, que o queria boxeador, e do irmão mais velho, também operário e grevista. Aliados: a avó, debilitada e doente, e um amigo de sua idade, homossexual. Direção de Stephen
Daldry.

TESS‘ – Filme duplo: 1a. parte (84 min) 2a. parte (80 min) – Direção de Roman Polansky, mostra a luta de Tess, acusada de sedução, contra a hipocrisia de sua época. Baseado no romance de Thomas Hardy.

MARCO POLO – viagens e descobertas – Filme duplo: 1a. parte (120 min) 2a. parte (124 min) – O relato da vida do explorador/viajante, nascido em Veneza, 1254. Belíssima reconstituição cenográfica de Veneza do século XIII, os desertos africanos, estepes da Mongólia e locais da China, como a cidade proibida de Pequim e a Grande Muralha..Direção do reconhecido diretor italiano Giuliano Montaldo.

AIMÉE E JAGUAR– ( 120 min) – Tema: homossexualismo. Berlim, 1933-1944. Em meio a bombardeios noturnos, nasce o amor entre duas mulheres: Lilly, mãe de quatro filhos e casada com um militar e Felice, judia, vive na clandestinidade e tem um caso com outra mulher. A Gestapo descobre que Felice trabalha com nome falso para um jornal nazista e passa informações a um grupo de resistência.Direção de Max Farberbock.

MINHA VIDA EM COR-DE-ROSA – (Ma vie en rose) – (90 min) – Filme premiadíssimo trata de forma inteligente, bem humorada e delicada, a questão da sexualidade do introspectivo Ludovico, de sete anos.. Os alunos assistirão a este filme e darão boas gargalhadas, mas provocará acalorada discussão numa (ou várias) reuniões de HTPC. De quebra, uma linda trilha sonora. Direção: Alain Berliner.

NELL – (115 min) – Filme indicado à área de Psicologia. Até os 30 anos, Nell vive afastada de qualquer contato com as pessoas. Assim, desenvolveu uma particular forma de se comunicar, através da dança, da mímica e outras expressões. A sensibilidade de um casal, um médico e uma psicóloga, consegue adentrar nesse mundo de Nell, coberto de ingenuidade e doçura. Direção de Michael Apted e interpretado por Jodie Foster (Nell).

O SÉTIMO SELO – (100 min) – Suécia, Idade Média. O cavaleiro, após as cruzadas, embora tenha lutado pela cristandade, tem dúvidas sobre a existência de Deus. A peste devasta o país, e, em meio ao ambiente de pessoas condenadas à fogueira, acusadas de bruxaria, ao invés de se encontrar com Deus, depara com a Morte e a desafia para uma partida de xadrez. A protelação, já que a partida não se define de uma só vez, permite que um casal de artistas se salve, incluindo uma criança. Direção de Ingmar Bergman, habituado a levar para as telas temas relacionados a religião, condição humana, sentido da vida.

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO – (95 min) – Assim como “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, o centro da narrativa é Antônio das Mortes, o matador de cangaceiros, e o mito de que acabando com a maldade é possível revolução. Mas o bom do filme é o caráter universal que Glauber Rocha impõe a um tema de caráter regionalista. Assim, o que parece intriga de padre, coronel (chefe político), delegado, mulher influente, professor, vem a ser aquilo que Guimarães Rosa com propriedade soube definir “O Sertão é o mundo”.

NARCOTRÁFICO; ENTRE O ESPANTO E A MENTIRA – (48 min) – Filme produzido pelo ELN (Ejercito de Liberacion Nacional – Colômbia). As articulações entre a CIA, a cocaína e a intervenção dos EUA na América Latina, segundo a guerrilha colombiana. Tudo o que você não viu, nem vai ver na TV sobre a guerra civil na Colômbia.

ACTAS DE MARUSIA – (120 min. ) Filme de Miguel Littin, o mesmo diretor de SANDINO. Chile, deserto de Atacama, região de Iquique, minas de cobre, manganês. Greve dos trabalhadores mineiros, a maioria indígenas. O Governo, em determinado momento da greve, exige a retirada dos ingleses (patrões) e seus familiares, deixando claro que a repressão não teria limites. No final, Gregório, líder da resistência, em meio aos bombardeios, viabiliza a retirada de três companheiros, responsáveis pela divulgação das Actas (acontecimentos) de Marusia, tendo como pano de fundo a preocupação com a organização revolucionária.

WILDE – (120 min.) – Filme sobre a vida do poeta e dramaturgo irlandês. Descobre tardiamente a homossexualidade, é processado por sodomia, enfrenta o conservadorismo dos tribunais e é condenado a 2 anos de trabalhos forçados em um presídio. Mais que a biografia, que os vários momentos em que a linguagem poética conduz a narrativa, o filme retrata a vida de um indivíduo, vítima das injustiças de sua época, reconhecidas hoje, cem anos após o processo, considerando Oscar Wilde inocente.

APOCALYPSE NOW – (148 min.) – Filme sobre a guerra do Vietnam, direção de Francis Ford Coppola.

PLATOON (PELOTÃO) – (115 min.) – Sob a direção de Oliver Stone, outro filme que narra os horrores e os excessos da guerra imperialista, travada no Vietnam, em que os EUA saíram derrotados militar e politicamente.

BOLEIROS – ERA UMA VEZ O FUTEBOL (90 min) Um crítico de cinema da “Folha de São Paulo” ( José Geraldo Couto ) define bem este filme: ” A força de Boleiros reside no contraste entre as arestas da vida cotidiana e a grandeza do mito”. Muito pertinentes as observações que o diretor Ugo Georgetti faz da trajetória de meninos pobres que conseguem (ou não) chegar à fama.

LUZIA HOMEM – (107 min. ) Roteiro baseado no romance regionalista, homônimo, de Domingos Olímpio, totalmente desconhecido na literatura brasileira, assim como Valdomiro da Silveira, Cornélio
Pena e outros regionalistas. O enredo é simples: uma mulher, vestida de homem, dividida entre o amor e o ódio, para vingar a morte do pai. Guimarães Rosa faz uma experiência muito parecida com Diadorim, no “Grande Sertão: veredas”, em que, igualmente, coloca a vingança, centralizando o drama pessoal, psicológico. Direção e produção da família Barreto.

CONRACK – (100 min.) – Professor enfrenta o desafio de lecionar numa ilha para crianças e adolescentes negros, centralizando sua ação educativa na questão da auto-estima, até que a direção local de ensino cassa-lhe o direito de exercer a profissão, sob a alegação de que seus métodos não condizem com os hábitos, costumes e tradição da população da ilha, chocados com sua demissão. De quebra, a 5a. de Beethoven e para esquentar o debate, as idéias revolucionárias professor jovem, loiro, de olhos azuis, numa ilha de negros sob a égide do preconceito e da miséria.

MENTES PERIGOSAS – ( 99 min.) – Quase na mesma linha, professora jovem, loira, de olhos azuis (Michelle Pfeiffer), enfrentando desafios numa escola pública norte-americana, frequentada por negros e latinos. Temática muito em voga nas telas ianques. Lá, como aqui, não encontram solução para uma escola pública detonada pela violência, conseqüência do desemprego estrutural. Na verdade, a crise é sistêmica e políticas públicas focalizadas, assistencialistas, não dão respostas
ao terremoto educacional. Salve-se quem puder… Aluno, professor, diretor, etc, etc, etc…

CIDADE DE DEUS – (125 min) – Baseado no romance de Paulo Lins, dirigido por Fernando Meirelles, badalado filme visto por volta de 3,3 milhões de espectadores, traz para a tela a realidade dos morros do Rio de Janeiro, simbolizada no conjunto habitacional que dá título ao filme. Embasada por uma análise de conjuntura internacional, é possível argumentar que “Cidade de Deus” não é uma realidade descolada do tecido mundial, inclusive contrapor à idéia de que as Olimpíadas de 2004 não podem ser no Rio, por ser uma cidade violenta. Na realidade, a exploração capitalista mundial gera violência, déficit habitacional, prostituição infantil e o narcotráfico, controlado pelo grande capital, surfa livremente nessa rede de distribuição das drogas. E o final do filme mostra exatamente isso: o extermínio de Zé Ninguém pela garotada que será futuramente exterminada, por também ser ninguém. E quem é alguém permanece intacta, a polícia e as instituições que ela representa. Mas o filme deixa espaço também para a poesia, para os dramas individuais, como o de Buscapé que sonha ser fotógrafo. Câmera aberta; entretanto já descobriu, antes mesmo de se profissionalizar, que a revelação de suas fotos pode lhe custar a vida…

PRA FRENTE BRASIL – (105 min.) – Considerado um dos melhores filmes sobre a ditadura militar, ao focalizar a ação do Esquadrão da Morte, grupos paramilitares, gestados dentro dos próprios quadros das Forças Armadas e polícias militares estaduais. O Brasil vive a euforia da Copa do Mundo, 1970, no México. Garrastazu Médici, um dos mais sanguinários dos quatro presidentes da ditadura militar (l964-1985), não foge à regra: enquanto fazia populismo com o “Pra frente Brasil” nos meios de comunicação (TV Globo, em particular), milhares de contestadores ao governo militar eram torturados e mortos. Há uma cena final que mostra um gol do Brasil e sua comemoração. E um corpo estendido no chão, vítima do esquadrão da morte. Direção de Roberto Farias.

JOHNNY VAI À GUERRA – (120 min.) – Dirigido por Dalton Trumbo, roteirista de SPARTACUS, um dos cineastas mais perseguidos pelo macartismo nos EUA. Filme antibélico, certamente promoverá bom debate sobre os interesses político-econômicos das guerras imperialistas.

MERCEDES SOSA: COMO UM PÁSSARO LIVRE – (85 min) – Após treze anos de exílio, este show marca o reencontro de Mercedes Sosa com todos os que lutaram por Liberdade durante os anos de chumbo na Argentina. Produção de 1984. Mercedes Sosa, livre para cantar e narrar fatos de sua rica experiência pessoal e política.

IGREJA DOS OPRIMIDOS – (75 min) – Documentário, com roteiro de Helena Salem e Jorge Bodanzky mostra a atuação e a forte influência da Comissão Pastoral da Terra (CPT), junto aos trabalhadores rurais da região do Araguaia-Tocantins. Filme que certamente permitirá um debate sobre a reforma agrária no Brasil. Direção de Jorge Bodanzky.

GARRINCHA: ALEGRIA DO POVO – (60 min.) – Documentário sobre a vida do menino pobre de uma cidade do interior do Rio de Janeiro, que foi operário e se tornou um dos maiores craques do futebol brasileiro. Ao lado de “BOLEIROS… Era uma vez o futebol…”, um bom filme para discutir o caráter político-econômico do futebol no Brasil ou em qualquer país do mundo. Direção de Joaquim Pedro de Andrade, roteirista e diretor do belíssimo “MACUNAÍMA”.

HANS STADEN – (93 min.) – Brasil colonial: Hans Staden, viajante alemão, provavelmente a serviço da coroa francesa, naufraga nas costas do litoral catarinense, permanecendo no Brasil por cerca de
cinco anos. O filme aborda o seu contato com os índios carijós, tupiniquins e tupinambás, no litoral-norte paulista, Bertioga/Ubatuba. Igreja, antropofagia, costumes e tradições indígenas, exploração mercantilista européia – alguns dos temas abordados. Direção de Luiz Alberto Pereira (o diretor de JÂNIO A 24 QUADROS – documentário).

GETÚLIO VARGAS – (76 min.) – Apesar do título, o documentário não se concentra na polêmica figura de Getúlio. Com fundo musical da época, Ana Carolina Teixeira Soares (diretora), recria o mundo político cultural do eixo Rio/São Paulo das décadas de l930/l950. Destaque para o discurso que antecedeu o suicídio e a participação da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na 2 ª Guerra Mundial.

ABOLIÇÃO – (150 min.) – Direção e roteiro Zózimo Bulbul. Um documentário financiado pelo Ministério da Cultura (FUNARTE). Embasado por uma ampla pesquisa histórica, o filme registra depoimentos de personalidades ligadas à questão negra – algumas contraditórias e polêmicas – mas o forte do filme é a fotografia. Esta produção de 1988 coincide com os 100 anos, após a assinatura da Lei Áurea, e que, até hoje, não garantiu a abolição da escravatura.

PÃO E TULIPAS – (115 min.) – Um comentário do Caderno 2 do “Estadão” caracteriza-o bem ” Um filme gentil sobre a chance que todos têm de mudar de vida”. Direção de Silvio Soldini.

A MISSÃO – (120 min.) – Tema: colonização luso-hispânica no sul da América, culminando com um vergonhoso massacre dos povos indígenas. Direção de Roland Joffé e destaque para a trilha sonora e a brilhante atuação de Robert de Niro.

CIDADÃO COHN – (111 min.) – Com a invasão de Bush no Iraque, alguns intelectuais e artistas norte-americanos “tomaram partido”, diante da prepotência e da demonstração de força do Imperialismo anglo/ianque(Blair e Bush). Como conseqüência, ressurgiu nos EUA aquilo que historicamente se denominou “macartismo”. Um excelente filme sobre esse tema. Direção de Frank Pierson.

ACORDA RAIMUNDO… ACORDA!!! (15 min.) e MASSACRE DE CORUMBIARA (15 min) – Dois curtas numa só fita. Temas: o primeiro, questão da mulher; o segundo, reforma agrária.

FEBRE DA SELVA – (130 min) – Spike Lee, com muita febre e humor, vai abordar temas que compõem o universo dessa selva, a sociedade capitalista: preconceito, drogas, religião, stress, etc. É o que ocorre em outro filme sob sua direção: “FAÇA A COISA CERTA”, também indicado para debates desta natureza. Aliás, é bom que se diga, não tem nada de revolucionário em Spike Lee ou Malcom X: eles sempre exigiram o cumprimento da Constituição em seu país, em relação à questão negra. No Brasil, essas migalhas de conquista têm sido chamadas de “direito à cidadania”. Lá e aqui, a tal Constituição está a serviço da classe dominante, é o “Estado de Direito” ditando normas de boa conduta. A burguesia não cumpre nem as leis que eles próprios elaboraram. Daí, em seus filmes a temperatura ir subindo, subindo, até explodir. É o grito, o protesto negro contra as injustiças sociais,
conseqüência de uma sociedade dividida em classes. Para acabar com isso, só através de um processo revolucionário que supere essas contradições de classe. Essa é a nossa visão. Diferente da dos petistas que hoje governam o país em parceria com o FMI e os partidos burgueses. Acham que é possível fazer revolução dentro da ordem burguesa, da lógica capitalista. E nisso o PT está à direita de Spike Lee e Malcom X, os quais nunca dispensaram o recurso à violência, por entender que mesmo as migalhas dentro do modo de produção capitalista só se conseguem no pau, no grito, na marra.

MÃES EM LUTA – (112 min.) – 1981, o IRA (Exército Republicano Irlandês) está em guerra declarada contra o governo britânico, representado pela primeira-ministra, Margateth Tatcher, a
dama-de-ferro. Alcunha mais que pertinente, pois os guerrilheiros procuravam ser reconhecidos como prisioneiros políticos e não serem tratados como assassinos ou criminosos, como queriam as autoridades inglesas. Para que isso se tornasse realidade, ativistas do IRA, dentro dos presídios, entraram em greve de fome e 10 deles morreram. As mães, ao invés de aceitarem passivamente as dores do luto, foram à luta. Tem a ver com a luta das mães argentinas da Plaza de Mayo. Direção de Terry George.

SACCO E VANZETTI – (115 min.) – Década de 1920, EUA. Dois operários, ativistas do movimento sindical, descendentes de italianos, são acusados de roubo. Transcorridos sete anos, apesar da forte mobilização de massa e da habilidosa defesa jurídica, são condenados à pena de morte. Direção de Giuliano Montaldo, músicas de Enio Morricone, interpretadas por Joan Baez.

BRAÇOS CRUZADOS, MÁQUINAS PARADAS – (76 min.) – Um documentário dos fins da década de l970, registrando as eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, última gestão do arquipelego Joaquinzão, com a ajuda da intervenção do ministro do trabalho, Arnaldo Prieto, impedindo o 2º escrutínio das eleições. Não houvesse a intervenção, certamente venceria a chapa 3, apoiada que seria pela chapa 2. Esses acontecimentos contaram com a participação de muitos companheiros que engrossaram o MOMSP (Movimento de Oposição Metalúrgica de São Paulo) e seus desdobramentos foram a criação da CUT, com a ascensão do movimento operário no ABC, neste mesmo período.

O CRIME DO PADRE AMARO – (118 min.) – Adaptado do romance homônimo de Eça de Queiroz, esta produção mexicana, dirigida por Carlos Carrera, não poupa críticas à hipocrisia da Igreja Católica, que ao longo dos séculos impõe o celibato aos padres. Outros ingredientes compõem esse podre universo: o apoio do narcotráfico à Igreja local, as clínicas de aborto permitidas pelas autoridades municipais; enfim, a corrupção do jovem padre, seguindo o mau exemplo do antecessor. Um círculo vicioso com a conivência do bispo; quiçá, do papa.

CINEMA PARADISO – (120 min.) – O cinema, penetrando no mágico mundo cinematográfico, na visão de um dos diretores, mestres nesta Arte: Giuseppe Tornatore, o mesmo diretor do belíssimo “O HOMEM DAS ESTRELAS”. Cenas que nos colocam diante da criança sonhadora que coexiste com a dura realidade do universo adulto.

UMA ONDA NO AR – (93 min.) – Inspirado na Rádio Favela, década de l980, acontecimentos em uma grande favela de Belo Horizonte. As lutas de resistência do proletariado – aqui expressa por jovens negros – têm sido rotuladas, depois de penosos embates com as instituições burguesas, de “direitos à cidadania”. E o resultado é uma total capitulação dos rebeldes à ordem vigente. No filme, isso transparece nos letreiros e alternadas cenas finais. São outras vozes, outras atitudes, outros protagonistas; por sinal, bem comportados, fazendo jus à premiação da astuta ONU, que dá com uma mão para retirar com a outra. Haja vista a ocupação militar, econômica e política do Iraque. As contradições que resvalam entre o imaginário e o real não encontram sustentação para explicar como é possível ser legalizada uma rádio, tendo como co-fundadores a bandidagem do morro. Apesar ou por isso , um filme que provoca o debate. Dirigido por Helvécio Ratton, o mesmo diretor de “MENINO MALUQUINHO”.

FALE COM ELA – (118 min) – Duas mulheres em coma. Dois homens, apaixonados, a zelar por elas. Benício (enfermeiro), apesar da impossibilidade de comunicação, fala com Alícia, a bailarina
acidentada no trânsito. E pede a Marco (jornalista) que fale com Rita (toureira), ferida por um touro. Pedro Almodóvar (diretor), com sensibilidade e talento, mostra que sabe lidar com temas em que
personagens se entrecruzam no fio da navalha. Participação de Caetano Veloso.

STALIN – Duplo: (Parte I -100 min) – (Parte II – 93 min) – A vida de Stalin, que governou a ex-URSS, de 1924 a 1954. Após a morte de Lênin (1923), o que seria a ditadura do proletariado, tornou-se
uma ditadura do partido sobre a classe, pondo fim às assembléias populares (soviets) e eliminando as principais lideranças da revolução russa, entre as quais Leon Trotsky, exilado no México.

ANNAHY DE LAS MISIONES – (115 min) – O envolvimento forçado de uma família que, para sobreviver, recolhia os pertences dos combatentes mortos, na Guerra dos Farrapos. Um bom enfoque da Revolução Farroupilha. Direção de Sérgio Silva e a brilhante atuação
de Araci Esteves (Anahy).

FILHOS DO PARAÍSO – (88 min) – Mais um filme iraniano tematizado por objetos aparentemente simples. Neste filme, o irmão perde o sapato recém-consertado da irmã e tenta solucionar o problema, sem que a família ( gente humilde) saiba. Escrito e dirigido por Majid Majidi.

A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA – (119 min) – Depois de passar três anos na cadeia, jovem – ex-neonazista – tenta obstruir a caminhada do irmão, muito parecida com a sua, no envolvimento com a questão racial. Direção de Tony Kaye.

A HORA DO SHOW – (135 min.) – Spike Lee aborda a ambição da mídia para faturar índices de audiência, que utiliza o poder da grana para corromper e agudizar ainda mais a problemática do ódio racial, ainda que isso resulte num inusitado show de negros contra negros.

OLHOS AZUIS – (100 min.) – Mais um filme sobre a questão racial nos EUA. Uma respeitável senhora de olhos azuis, criando situações momentâneas de dificuldades de convivência para os de olhos azuis, divididos em grupos com os de olhos escuros, para mostrar o quanto é difícil suportar a segregação por toda uma existência, já que situações de constrangimentos se tornam insuportáveis, ainda que por algumas horas. Um filme indicado para alunos e professores do ensino médio e superior.

FUGA DAS GALINHAS – (84 min.) – Por trás da diversão, o filme coloca a discussão sobre a polêmica necessidade da organização; ou seja, da hierarquia organizacional como condição de sobrevivência. Sutil a alegoria, principalmente se considerarmos que vivemos numa sociedade que, em nome do lucro, nos reduz quase sempre à condição de suco. As galinhas à condição de caldo, se não tivessem se organizado. Dirigido por Peter Lord e Nick Park.

O DISCRETO CHARME DA BURGUESIA – (l00 min) – O diretor Luis Buñnel, no decorrer da película, vai compondo o “rico” cenário burguês, recheado de comidas, sexo, corrupção… E isso dará maior sentido à ironia estampada no título do filme. AMAZÔNIA EM CHAMAS – (128 min,) – A vida de Chico Mendes bem interpretada pelo ator Raul Júlia. Pela fidelidade aos fatos reais, poderíamos classificar este filme como semidocumentário. Direção de John Frankenhelmer.

PIXOTE – A LEI DO MAIS FRACO – (l20 min.) – Filme de Hector Babenco, 1980, mas agenda atualíssima. As FEBEMS, versão século XXI, são as mesmas e os “babencos” também: personagens reais se entrelaçando com a ficção e vice-versa. O recurso utilizado, com êxito, por alguns diretores, de levar para as telas uma garotada anônima, nada resulta para os anônimos que, se sobreviverem, continuarão anônimos. Temos informações de que os atores desse filme foram quase todos exterminados. Fernando Ramos da Silva é simplesmente o nome de um espaço assistencialista, público, em Diadema. Gilberto Moura, que fez o papel de Dito trabalha na Prefeitura de Diadema (concursado). Lilica mora no Rio, faz teatro e, quando sobra, algumas “pontas” em cinema. Onde andarão os personagens de “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens” daqui a alguns anos? Improvável que sejam atores (as) profissionais, apesar do talento da maioria deles (as). Finanças e holofotes ficam para os produtores e diretores. Historicamente, é importante preservarmos estas memórias, cujos registros não irão para nenhum MIS(Museu da Imagem e do Som).

CLUBE DA LUTA – (139 min) – O Clube da Luta reúne participantes de auto-ajuda, vendedores de sabonete, gente que não tem nenhuma perspectiva profissional ou social. E o Clube da Luta vai se tornar uma organização militarizada, promotora de atentados contra a ordem vigente. Situações surreais entrecruzam-se com a realidade do mundo subterrâneo. Direção de David Fincher (Os sete crimes capitais).

GUERRA DO ARCO-ÍRIS – (21 min.) – Bom para debater a questão de gênero. Criatividade é o que não falta neste curta- metragem.

FRIDA – (120 min.) – O filme retrata a vida de Frida Khalo, uma mulher revolucionária, na Arte, no Sexo, na Política. Passou a maior parte da vida ao lado do renomado pintor Diego Rivera, seu
marido, mas teve casos amorosos, com homens e mulheres, incluindo um com o líder da revolução russa, Leon Trotsky, exilado no México. Dirigido por Julie Taylor.

XICA DA SILVA –(107 min) – Brasil colonial, 1750. Xica da Silva garante a liberdade, comprando-a. Não como Chico Rei, usando ouro como moeda de troca, mas pela sedução, a sensualidade negra que faz do Governador seu escravo e ela primeira dama de Diamantina. Direção de Cacá Diegues.

SENHORA – (109 min.) – Baseado no romance homônimo de José de Alencar. Direção de Geraldo Vietri (1976). Uma bela reconstituição de época, ao lado de uma trama que retrata bem o romance.

AMARELO MANGA – (100 min.) – Este filme, dirigido por Cláudio Assis, é a demonstração de que o cinema nacional prescinde de premiação de Hollywood (Oscar) para se colocar entre os melhores do
mundo. O título poderia ser interpretado como a astúcia do povo nordestino de vingar as traições, de dar respostas às angústias, sem recorrer ao universo Shakespeariano da tragédia clássica. As coisas se resolvem pelo alegre, humorado e colorido do amarelo manga dos personagens /tipos. Essa não é uma característica nordestina, particularizada, mas universal. É o pulsar, o fervor do povo pobre latino ou africano, em contraste com a podridão da aristocracia e da nobreza européia, tão bem detectados por Shakespeare.

O HOMEM QUE COPIAVA – (122 min.) – Roteiro e direção de Jorge Furtado, aquele mesmo que fez os clássicos curtas “Ilha das Flores” e “O Dia em Dorival encarou a Guarda” e tantas outros, como sua presença no “Cidade dos Homens”(Versão 1). André e Marinês encarnam personagens de carne e osso, a juventude da periferia cheia de truques e malandragens. Porém, o interessante é o final, sem punições e sentimentos de culpa. Ah, a montagem é de Giba Assis Brasil.

DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO – (102 min.) – Um filme sobre o papel do intelectual, naquilo que os teóricos chamam de pós-modernidade. Os oito personagens – quatro homens e quatro mulheres – todos intelectuais, consagrados ou iniciantes na vida acadêmica, fazem uma análise crítica e bem humorada do declínio do sistema capitalista, do moral ao político. Permeia uma “mea culpa”, diante da inutilidade, da impotência, de uma intervenção que não se restrinja à teoria. “Invasões Bárbaras”, filme mais recente do diretor Denys Arcand – “Declínio” é de 1986 – dá continuidade ao debate, aprofundando o debate sobre a eutanásia, sobre a morte, e sobretudo sobre a utilidade ou inutilidade de viver e atuar no mundo, tão academicamente.

1900 (NOVECENTO) – (Parte I – 100 min.) (Parte II – 140 min.) – O diretor, Bernardo Bertolucci, reconstitui a história da Itália desde o surgimento do fascismo até a queda de Benito Mussolini em 1945. Esta primeira metade do século XX é narrada sob o ponto de vista de dois jovens, amigos desde a infância, Olmo e Alfredo, e que as contingências do ato de viver vão separá-los e uni-los, entretanto marcados pelas visões de mundo diferenciadas. Robert de Niro e Gerard Depardie
interpretam os dois amigos. É bom que informemos a juventude sobre o fascismo, pois traços dele se desenham neste início de século XXI. Nesta constelação, Bush é a estrela mais visível.

A VIDA DE BRIAN – (94 min.) – Um dos filmes da turma do “monty Python’s”, mais precisamente o primeiro. Uma comédia em que Brian é tomado por Cristo e depois Brian é Brian. Uma bela trilha musical. Provoca sonoras gargalhadas, mas crítico até a medula. Escrito e estrelado por Graham Chapman, também dirigido por outro ator, Terry Jones.

O PEQUENO PRÍNCIPE – (28 min.) – O filme retrata a obra homônima de Antoine Saint Expérry. Um filme para crianças, jovens, adultos e velhos. Produção e direção de Will Vinton.

AS VIAGENS DE GULLIVER – (150 min.) – Uma excelente produção e direção do clássico da literatura universal de Jonathan Swift, refletindo bem o aspecto crítico da obra. Direção de Charles
Sturridge.

JANELA DA ALMA – (73 min.) – Dentre 19 representantes de deficiência visual, José Saramago, Hermeto Paschoal, Wim Wenders, são alguns dos depoentes e suas implicações sobre o modo de ver um mundo, visualmente congestionado. ” Não basta olhar, é preciso ver”, este um dos eixos temáticos do filme. Direção de João Jardim e Walter Carvalho.

EU E O MERCADO – (83 min.) – Produção independente, envolvendo financeira e politicamente vários sindicatos cutistas ( quando ainda eram combativos e classistas). Começa descendo o cacete em Collor e suas iniciativas/falácias, em 1990, de abrir o mercado e colocar o Brasil em condições de igualdade nesta disputa internacional. Bastante interessante, se trouxermos estas reflexões para os dias de hoje, passando por FHC e chegando a Lula. É continuidade dessa orientação do Imperialismo ou não? Portanto, desse ponto de vista, é um excelente documentário, pois a essência da manutenção do jugo imperialista é a mesma. Collor, FHC e Lula – Office-boys do Imperialismo! Mas o mais interessante do filme não é a constatação do óbvio. É a discussão sobre valor, no decorrer dos episódios que entremeiam a vida do personagem “José da Silva”. Karl Marx e Adam Smith, frente a frente, travando o debate. Indicado para formação nos movimentos sociais, em particular nos sindicatos ( que ainda defendem o marxismo!).

LADRÕES DE BICICLETAS –(90 min.) – Direção de Vittorio de Sica, produção de 1948. O enredo é simples, mas o filme é uma lição de solidariedade.

FEIOS, SUJOS E MALVADOS – (130 min.) – A Itália é um celeiro de cineastas. Fellini, Bertolucci, Vitório de Sica, Visconti – para citar alguns. Porém, Ettore Scola, com este filme, se coloca entre os
primeiros. A sordidez da tradição, da família e da propriedade privada, da sociedade italiana, que não deixa de ser o retrato de outras sociedades capitalistas. Rir e engolir o fel. Crítica social de
primeira grandeza.

TUDO SOBRE MINHA MÃE – (100 min.) – Espanha, terra de Picasso, Dali, Buñnel e também de Pedro Almodóvar, diretor deste filme, que, poeticamente, narra a história e a luta de mães solteiras, cujos filhos não conhecerão o pai – um ator, mais tarde drogado e travesti. Sem as pieguices de Rede Globo. O Selo é Almodóvar!

O FILHO DA NOIVA – (122 min.) – Cinema argentino, feito na “raça”, como o brasileiro; sem contar com a ajuda de dinheiro público, já que lá quanto aqui, pouco interesse tem estes governos pela
cultura. Dizem que não tem dinheiro, mas “se quiser saber que bicho deu, é só perguntar pro Zé Dirceu”. Filme engajado, interpretado pelos veteranos de “A História Oficial”, aborda a crise argentina, sem secundarizar a temática, apaixonante e emotiva: o filho que vai estar presente no casamento da mãe. Direção de Juan Jose Campanella.

HISTÓRIAS REAIS – Dois curtas metragens, produção da “Casa de Cinema de Porto Alegre”. O primeiro, “Esta não é sua vida” (documentário de 16 min., dirigido por Jorge Furtado). Racismo e outros temas, como o fato de não existir “pessoas comuns”. O segundo, “Ventre Livre” (documentário de 48 min., dirigido por Ana Luiza Azevedo). Temática: direitos reprodutivos no Brasil, enquanto não
chega a tal de justa distribuição de renda. E por aí vai: esterilização, aborto, gravidez na adolescência.

CUBA FELIZ – (95 min.) – O primo-pobre de “Buena Vista Social Club”. Nada de holofotes, de apresentações em Amsterdã ou Nova York. O músico, Miguel del Morales, mais conhecido como El Gallo, cantor popular de Cuba, faz uma viagem musical pela Ilha. De Manzanillo, passando por Guantanamo, Santiago, até Havana. Nessa trajetória, vemos o interior da Ilha; uma pobreza , mas gente com boa saúde e dentes brilhando, cantando, fazendo trovas, um tipo de rap, cujo similar seria o repente nordestino. Música do povo, cantada pelo povo. Mirta Gonzales interpretando “Dos gardenias”, de Isolina Carillo, não é qualquer coisa. Ou mesmo quando El Gallo dedilha o clássico de Consuelo Velasquez e seu vozeirão nos emociona com “Besame Mucho”. Direção: Karim Dridi (de lá das bandas do Leste Europeu).

TERRA EM TRANSE – (115 min.) – Filme de Glauber Rocha, cujo tema é a política, com suas armadilhas, disputas e crimes, numa cidadezinha (Eldorado) pobre e miserável.

CARLOTA JOAQUINA – PRINCESA DO BRAZIL -(100 min.) – Herdeiros da coroa portuguesa, fogem para o Brasil , ameaçados pelo exército de Napoleão. O filme vai um pouco além dos livros didáticos na caracterização dos dois personagens, ao se aproximar da zombaria e
sarcasmo. Direção de Carla Camurati.

CARANDIRU – (147 min.) – Hector Babenco fez o mesmo, quando dirigiu “Pixote”. Um bisturi rasga o ventre desses sistemas carcerários para jovens (FEBEM) e adultos (Casa de detenção). Constata o fato, o submundo do crime. Porém, em “Carandiru” não responsabiliza o Governo pelo massacre; no caso, o ex-governador Luís Antônio Fleury, atualmente deputado federal. O coronel Ubiratan que liderava a tropa de choque é deputado estadual reeleito. O médico, Dráuzio Varella, responsável pelo livro/documentário, que deu título ao filme, assume a postura do diretor, a mesma que adotou no livro; ou seja, ou seja, também não denuncia o coronel e seu mandante, o governador. A solidariedade inicial foi substituída pelo silêncio, pela cumplicidade cidadã. Espetáculo para disputar “Oscar”, filmado depois que o Carandiru foi esvaziado, pouco tempo antes da implosão constatada no final. Espetáculo por espetáculo, os gringos sabem e dispõem de recursos para fazer melhor. Mesmo assim, é aconselhável para debates sobre violência urbana, delinqüência juvenil, prostituição, drogas, etc., aproveitando as narrativas, bastante didáticas, de vários personagens, com seus problemas pessoais e envolvimento no crime.

A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO – Duplo: (Parte I – 115 min.) (Parte II – 57 min.) – Como vivemos em uma época em que o “Império”, leia-se EUA, tudo pode, trata-se de um filme que pode colaborar nesta discussão, já que, como aquele, este Império apresenta sinais de colapso, de estagnação. E, a qualquer momento, o mercado, de tão nervoso e estressado, poderá não mais sair da UTI. E aí, poderá ocorrer o inesperado: o desmantelamento geral do modo de produção capitalista… Não estamos profetizando, vários entendidos no assunto têm feito estas previsões. Direção dessa superprodução hollywoodiana: Anthony Mann.

MADAME SATÃ – ( 100 min.) – Lapa, Rio, década de 1930. João Francisco dos Santos ( Madame Satã) passou metade da vida na prisão. Por ser negro, pobre, homossexual, sofreu muita perseguição e discriminação. Porém, como podia, dava sentido à sua revolta, freqüentemente enfrentando a polícia com golpes de capoeira. Madame, o lado poético, sensível e carinhoso do pai adotivo, do artista, do bailarino e cantor. Satã, o lado incontrolável do malandro que não levava desaforo para casa. Daí, a lenda, o mito. Seria interessante, se a direção do filme tivesse focalizado o presidiário, suas reações e comportamento, diante da opressão e humilhação. Direção de Karim
Aïnouz.

O ASSASSINATO DE TROTSKY – (100 min.) – Filme de Joseph Losey, de 1972. O mesmo diretor de “Galileo Galilei, obra de Bertold Brecht. Portanto, um diretor engajado, preocupado mais com a ingenuidade do revolucionário do que com a disciplina. Chega a ser inverossímil a forma como o assassino freqüentava a casa onde Trotsky vivia, com sua mulher. Porém,essa ingenuidade se contrapõe à implacável perseguição de Stalin. Cidade do México, 1940. Local e data da morte do teórico e revolucionário Leon Trotsky.

GATTACA – A EXPERIÊNCIA GENÉTICA – (112 min.) – Um filme sobre DNA. Como, no cinema, há pouca coisa sobre o assunto, pode ser interessante para as aulas de biologia no ensino médio, mesmo se tratando de ficção e não de documentário. Direção de Andrew Niccol.

LISBELA E O PRISIONEIRO – (108 min.) – Trata-se de comédia romântica baseada na obra de Osman Lins ( professor universitário e escritor, cujas obras, de excelente qualidade literária, aos poucos vão ganhando o reconhecimento, que não conseguiu em vida. Caso de Plínio Marcos, João Antônio e tantos outros bons escritores). O diretor Guel Arraes desvia o curso da pieguice dos finais felizes dos filmes românticos, deixando a malandragem nordestina dar o tom de humor, graça e riso ao que o cinema hollywoodiano traduziria em melodrama. O casal romântico é perfeito: Lisbela, ingênua e romântica, dá o golpe no malandro carioca; Leléu dá um show de malandragem no
machão nordestino, conquistando sua mulher. E acaba casando com a filha do policial que jamais sonharia vê-la casada com um mambembe aventureiro. É a farra do boi, no sentido literal, derrubado pelo chifre. Muito parecido com cordéis nordestinos que tecem a crítica no momento do riso.

SAMSARA – (140min.) – Filme indiano, dirigido por Pan Nalin. Tashin pode simbolizar a metáfora expressa na pedra milenar, de que a resistência à ofensiva do mundo capitalista só encontra correspondente na luta passiva, espiritual, estilo Sidartha/Buda. Mesmo que isso signifique abdicar ao prazer da sensualidade de Pema, à doçura da esposa exemplar, à total sublimação do desejo, do amor erótico, inerente ao ser humano. A gota de água (valores plenos) só será preservada, se lançada no oceano da espiritualidade. Talvez uma resposta à Índia que se adestrou, em um tempo relativamente curto, às rédeas do livre mercado, colocando-se entre os maiores crescimentos do PIB, ao lado da China e Japão, não repassando, entretanto, às camadas pobres da população uma mínima parte da riqueza acumulada nestas cifras estonteantes. Tal como ocorre na América Latina, em particular no Brasil. Lá como aqui, o responsável é o FMI, espinha dorsal da dominação imperialista.

LINHA DE MONTAGEM – (87 min) – Documentário de 1981, dirigido por Renato Tapajós; música de Chico Buarque. De inegável valor histórico, registra as greves de l979/1980, no ABC Paulista, o
surgimento do PT e de sua liderança maior, Lula, que se tornou presidente da República. O Estádio de Vila Euclides superlotado em dias de assembléia, as passeatas, a linha de montagem, os piquetes, a Praça da Matriz, os portões de fábrica, tudo isso compõe o cenário de um período de ascensão do movimento operário e pouco tem a ver com o refluxo imposto aos movimentos sociais nestes tempos de neoliberalismo. E nessa esteira, quem era combativo, virou traidor e pelego. Muitos lutadores daquela época hoje estão desempregados, ao contrário de dirigentes sindicais daquela época que recebem polpudas pensões ou fazem parte da casta que sobrevive do holerite estatal, em
honoráveis cargos de confiança. Isso comprova a tese de que a burguesia sempre soube arquitetar saídas pacíficas para os seus momentos de crise. E Lula hoje nada mais é que o interlocutor das
elites. O principal quadro de um partido, que se propunha a mudanças radicais para diminuir as desigualdades sociais neste país, aglutina em torno dele os racionários que sustentaram 21 anos de ditadura militar. Pois é, Chico, “Apesar de você” e “Tanto mar”, a ditadura do capital, em época de democracia burguesa, também dá samba. Que tal um Lula lá do lado de lá? Ou o poeta, ao lado de uma súcia de intelectuais, também se calou?

A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA – (72 MIN) – Um documentário sobre a revolução bolivariana de Hugo Chaves, na Venezuela, dirigido por um cineasta irlandês. Relata o golpe de abril de 2000 e a reviravolta; ou seja, o feitiço virando contra o feiticeiro, George Bush. O povo oprimido, nas ruas, em luta, defendendo o populismo de Chaves. Bem melhor que Lula, que, diferentemente de Chaves, é um populista de direita. Também não nos consta que Condollezza Rice, secretária de Estado dos EUA, tenha elogiado Chaves, como fez ao dirigir-se ao governo brasileiro, em manchete de primeira página do “Estadão”, de 10/03/05, “Condoleezza diz que relação com Brasil é
excelente”.

IMAGENS DESCONHECIDAS DO VIETNÃ – (150 min) – Este documentário da GNT, produção francesa, é dividido em três partes, cada uma com, por volta de, 50 min.: 1) Segredos da guerra; 2) Segredo das armas; 3) Segredo dos homens. Algo similar somente encontraremos no clássico “Corações e Mentes”, de Peter Davis. E para quem pouco conhece Ho chi Min, fica aí uma ótima opção para conhecer um líder revolucionário, principal responsável pela derrota dos EUA no Vietnã. Atualíssimo, se considerarmos a enrascada em que se meteu os EUA, no Iraque.

CARTAS DO VIETNÃ – documentário –(85 min) – Vários depoimentos, através de cartas, de soldados que estiveram no Vietnã e que, de lá milhares não voltaram. A dor da perda acrescenta depoimentos dos familiares, que passam a se posicionar contra a guerra, contrariando posições anteriores do orgulho nacionalista, o ethos norte-americano, de ter enviado um soldado para defender a pátria no Vietnã.

EDIFÍCIO MASTER – (110 min) – Dirigido por Eduardo Coutinho, o mesmo diretor de “O Cabra Marcado para Morrer”, foi considerado o melhor documentário do Festival de Gramado 2002. Moradores / personagens dão os mais diferenciados depoimentos, diretamente do interior do edifício, de doze andares, vinte e três apartamentos por andar, localizado a poucos metros da praia de Copacabana. A excelente caracterização dos 37 personagens/tipos, permite abordagens literárias, sociológicas, antropológicas, freudianas, etc.

DIÁRIOS DE MOTOCICLETA – (120 MIN) – A viagem feita pelos dois amigos – Ernesto Guevara e Alberto Granado – na época em que faziam medicina, em Buenos Aires, vai permitir que “Chê” seja acrescentado ao Ernesto, pois o vivido e vivenciado vão atiçar a chama do revolucionário honesto e sensível que habitava em Chê. E o filme se propõe a isso, um tanto light, talvez para faturar um Oscar, sonho do filho de banqueiro, Walter Salles. Por isto, quem quiser aprofundar na teoria revolucionária, recomendam-se outras fontes, em filmes ou escritos, pois esta fase libertária de Chê vai se somar ao marxista que foi Chê na fase adulta, o estudioso que, seguramente, deixou o legado teórico – o guevarismo, colocado em prática por correntes e agrupamentos revolucionários, na América Latina e outras partes do mundo. A guerra de guerrilhas fez-se presente no Vietnã e faz-se presente no Iraque. E o ódio de Chê ao imperialismo ianque vive, mais vivo que nunca no seio de todos que lutam contra a opressão.

UM VIOLINISTA NO TELHADO – (170 min) – Filme inspirado no musical da Broadway, produzido e dirigido por Norman Jewison e interpretado pelo ator israelense Topol, o mesmo que interpreta Galileu, no filme homônimo, cujo roteiro se serve do texto teatral de Brecht. O enredo se poetiza na medida em que o violinista dá o tom ao mostrar a singeleza com que convivem e se relacionam os habitantes da aldeia, onde vive a comunidade judaica, por volta de 1905, localizada na
Ucrânia, período czarista. Porém, a opressão discriminatória coloca os judeus a abandonar a aldeia e se espalharem por países do ocidente. Um filme sobre os judeus, suas tradições, costumes e crenças. Excelente.

ERNESTO CHÊ GUEVARA – HOMEM, COMPANHEIRO, AMIGO… – (105 min) – Documentário ítalo-cubano, com belíssimas canções argentinas e cubanas, enfoca com detalhes os discursos pronunciados por Chê, após a derrubada do ditador Fulgêncio Batista, tornando-se o embaixador do triunfo socialista – nos EUA, na China, na Rússia, etc. O filme enfoca a sua fase infanto-juvenil na Argentina, mas pouco fala da tragédia na Bolívia, fruto das possíveis divergências com Fidel. O filme se salva como defesa e propaganda da revolução cubana. Nada mais justo, se considerarmos o vigoroso bloqueio econômico imposto pelos EUA à Ilha, desde 1959. E, como conseqüência, propaganda do ideário socialista, via Chê. Na lista, há um outro documentário de Chê (n° 158), divididos em 45 min. cada.

A COR DO PARAÍSO – (86 min.) – Produção iraniana e mesmo diretor de “Filhos do Paraíso” – Majid Majidi. Filme endereçado aos educadores que buscam a inclusão como tema. Mohammad, o garoto cego, estuda numa escola de crianças com problemas visuais, porém, a sensibilidade como sente e vê o mundo, leva-o à luta pela inclusão na escola da aldeia, onde vive seu pai, sua avó/mãe, seus amigos e amigas.

AS BORBOLETAS DE ZAGORSK – (50 min.) – Outro filme, aqui um documentário, na linha da inclusão – crianças cegas, surdas e mudas, internas no Instituto Zagorsk, na década de 1960, na Rússia. O método de abordagem se baseia nas experiências do educador marxista Vigotsky. Segundo depoimentos e reflexões, que surgem no decorrer do documentário, “até hoje nada há de similar no mundo ocidental, apesar dos poucos recursos destinados à Educação na já combalida União Soviética”, pós-desmoronamento do chamado socialismo real, em 1991. Acompanha ainda um documentário de 25 minutos, gravado da TV/Cultura/SP, sobre o trabalho em Zagorsk.

PAULINHO DA VIOLA – Musical/documentário – (86 min.) – A simplicidade se confunde com o talento. Pai, mãe, esposa, filho e filhas e para completar a Velha Guarda da Portela. Como se autodefine Paulinho ” não vive do passado, mas o passado vive no seu presente”. Para quem gosta de Pixinguinha, Noel, Nelson Cavaquinho, Cartola ou raridades vivas, como Monarco e Nelson Sargento

CHICO BUARQUE – À FLOR DA PELE – (58 min.) – Segundo o diretor, filmado em Paris, por sua característica feminista. Presenças de Nara Leão, Caetano Veloso, Milton Nascimento, o filme centraliza-se nas canções como “Mulheres de Atenas”, quase sempre em primeira pessoa feminina, com predominância do samba-canção; influência, sem dúvida, de Noel, Cartola e tantos outros artistas dos morros.

CHICO BUARQUE – ESTAÇÃO DERRADEIRA – (80 min.) – Destaque para o morro, escola de samba e a velha guarda da Mangueira. Presenças de Zica, Neuma, Delegado, Hermínio Belo, Nelson Sargento, Lecy Brandão, João Nogueira, Beth Carvalho, Carlinhos Vergueiro e, para encerrar, Jamelão cantando “Chico Buarque da Mangueira”, título do samba-enredo, vencedor em 1988.

CHICO BUARQUE – MEU CARO AMIGO – (68 min.) – Gravado nas ruas do Rio e Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Chico homenageia seus amigos e compadres Vinicius, Miúcha, Tom, Toquinho, Edu Lobo, Djavan, Dorival Caymi, Francis Hime, Tom Jobin e Gal. Direção, assim como de todos, é de Roberto de Oliveira.

CONSENSO FABRICADO – NOAM CHOMSKY E A MÍDIA – (249 min.) – Filme produzido com cerca de 500 horas de gravação, em 1992. O professor do MIT fala de suas experiências lingüísticas e de suas polêmicas com Skinner na década de 1970 e sua ascensão para o ativismo político; seguramente, um dos maiores críticos, ao longo destes anos, da invasão norte-americana no Vietnã e, mais próximos de nós, do apoio dos EUA às ditaduras sanguinárias na Nicarágua, Guatemala, São Domingos, El Salvador. Apoio e silêncio da mídia à invasão da Indonésia no Timor Leste e Camboja, ambos sangrentos genocídios. Filme dividido em três partes; no final, faz uma longa explanação sobre as suas propostas em relação à mídia alternativa, bem como suas propostas em relação à necessidade da destruição do capitalismo e construção das “comunidades socialistas/comunistas e finalmente anarquistas”. A única teórica marxista citada é Rosa Luxemburgo.

AL-JAZEERA – A NOVA VOZ DOS ÁRABES – (52 min.) – A rede de TV inaugurada em 1º de novembro de 1996, em Doha, Qatar. Financiada pelo emir, com orçamento de 30 milhões de dólares ao ano. Segundo seus dirigentes, o dinheiro é pouco, mas o barulho está sendo grande, com a queda das torres do WTC. Cenas mostradas ao vivo por todo o mundo o mundo árabe, com bônus de Osama Bin Laden. Cerca de 70 jornalistas de diversas nacionalidades e ideologias – de muçulmanos a cristãos, de islamistas a marxistas – compõem os quadros desse “Mito do Mundo Árabe Unificado”.

POR TRÁS DAS LINHAS – (192 min.) – Documentário da BBC de Londres, cobertura jornalística do repórter Sean Langan ao Afeganistão, Irã, Iraque e Faixa de Gaza. Afeganistão – entrevistas com o Talibã. Irã – a luta entre conservadores, período pós-Khomeini, presidente Khatami. Interessante observar o ódio ao Imperialismo ianque expresso em palavras de ordem como “Morte à América” ou ” Abaixo América e Israel “, bem como as entrevistas com estudantes, reivindicando liberdade de imprensa e abolição do xador( direito das mulheres mostrar o rosto em público). Iraque – Período Saddam Hussein, pós-aliança com os EUA contra o Irã. Portanto, o Iraque, antes da invasão norte-americana e aliados. Faixa de Gaza – Entrevista o homem mais temido e odiado em Israel, líder do Hamas, Xeique Yaseem, posteriormente atingido, em sua cadeira de rodas, por um míssel israelense.

A DEUSA IMPERFEITA – (180 min.) – Documentário biográfico de Leni Riefenstahl, cineasta oficial do partido nazista. Diretora de documentários como o “O Triunfo da Vontade” e “Olympia”, sendo este sobre os jogos olímpicos em 1936. Bailarina, atriz, diretora, editora, produtora e escritora. Em 1952, inocentada no Julgamento de Nuremberg continuou fazendo cinema, a serviço do jornalismo. Morreu com 103 anos de idade.

A HISTÓRIA SECRETA DA CIA – (105 min.) – Direção: Giuseppe Ferrara. A sede da CIA, em Langley, Virginia, EUA, custou cerca de 50 milhões de dólares. Construída, segundo diretrizes ideológicas, para: a) fortaleza do mundo livre; b) defesa da democracia; c) incessante busca da verdade. Produção italiana, o semi-documentário mostra a intervenção da CIA, em diferentes locais do mundo: Vietnã, Congo (assassinato de Patrice Lumumba), Guatemala (derrubada de Arbens), Cuba (invasão da Baía dos Porcos), Grécia (deputado Gregório Lambrakis), Itália (Centro de Espionagem do Vaticano coligado com a CIA), Bolívia (morte de Chê Guevara), Argentina, Colômbia, Venezuela.

SALÒ OU OS 120 DIAS DE SODOMA – (117 min.) – Direção: Pier Paolo Pasolini – Produção ítalo-francesa, de 1976. Indicado a todos os que desejam entender melhor os meandros da opressão, do fascismo, do sadismo e de outros tantos “ismos”. A pedofilia praticada por membros da igreja e do Estado se encaixa perfeitamente no enredo sobre o fascismo italiano de 1944-1945.

A NOITE DOS LÁPIS (LA NOCHE DE LOS LÁPICES) – (95 min.) – Direção de Hector Olivera. Ditadura argentina, adolescentes, militantes uns, outros não, do movimento estudantil, tirados de “circulação” e encarcerados. Os maltratos, guardadas a proporções, lembram um pouco o “Salò ou 120 dias de Sodoma”. Filme baseado em fatos reais. Sobra, pelo menos um, para reviver a história de todos os exterminados. Tempo histórico: 1975. Local: La Plata.

NEM VIVO… NEM MORTO (NI VIVO… NI MUERTO) – (92 min.) – Direção: Vitor Jorge Ruiz. Tempo histórico: 1980. Buenos Aires, um professor de matemática deve se submeter aos interesses da Ditadura Argentina, para salvar sua esposa, que também havia sido seqüestrada. Depois de toda a tragédia pessoal, não são seus conhecimentos matemáticos que permitem descobrir onde está o dinheiro – e resgatar a companheira – tão procurado pelos mafiosos, com perfil de torturadores ou esquadrão da morte, a serviço, como no Brasil, da Ditadura.

OS JOVENS DA GUERRA (LOS CHICOS DE LA GUERRA) – (98 min.) – Direção de Bebe Kamim. Apoiados nos sentimentos nacionalistas, a Ditadura argentina se propõe a enfrentar a Inglaterra, na disputa pelas Ilhas Malvinas. E, como nenhuma guerra se sustenta somente com armas, é preciso de jovens alistados para empunhá-las. O resultado é trágico, mas a derrota certamente enfraqueceu a ditadura que, àquela altura, respirava ares de extremo ufanismo.

A TOMADA DA EMBAIXADA-LA TOMA DE LA EMBAJADA – (101 min.) – Direção de Ciro Duran – O Filme narra, baseado em fatos reais, a tomada da embaixada da República Dominicana, em Bogotá, Colômbia, em 27/02/1980, e a capitulação do M19, movimento guerrilheiro, que, numa relação de boa vizinhança com os embaixadores seqüestrados – EUA, Brasil, Uruguai , etc –depõe as armas e vai para os corredores da democracia burguesa e seus deleites. No desfecho, o comandante Uno, dirigente maior da organização, torna-se um bem sucedido prefeito de uma cidade do interior. Outros companheiros, coerentes com os princípios da luta revolucionária, têm outro destino. Caso de sua companheira que, pela opção, foi morta anos depois, na luta por uma sociedade que certamente acreditava ser mais justa.

O GAROTO SELVAGEM – (85 min.) – História verídica, inicia-se em uma floresta francesa, em 1798. Lá, três caçadores encontraram um garoto, aparentemente surdo, mas verdadeiramente um bicho, um selvagem, de quatro patas. Do vilarejo, para aonde foi levado, a notícia chega a Paris. Na capital francesa, o garoto fica sob a tutela de um cientista, que acredita na sua “normalidade”. Apesar de vários contratempos, o final – que contraria o de “Kaspar Hauser” – é feliz. Endereçado às áreas da psicologia, antropologia e pedagogia, o enredo poderá contribuir, pelo método científico, para melhor compreensão da complexa natureza humana.

MORTE E VIDA SEVERINA – 85 min. – Sob a direção de Zelito Viana, com música de Chico Buarque e Airton Barbosa, trata-se de uma feliz combinação do poema de João Cabral de Melo Neto com documentário. Produção de 1977, supera, do ponto de vista político/ideológico, a montagem de Valter Avancini, posterior a essa.

ENTREATOS – (116 min.) – Direção de João Moreira Salles – Documentário que cobre os 11 dias que antecedem o primeiro turno das eleições presidenciais de 2001 e todo o 2º turno: Lula derrota Serra. Este documentário, ao lado de “Peões”, de Eduardo Coutinho, pretendia, pelo menos em tese, ser o testemunho histórico do operário que chegou a presidente da República. Lançado antes dos escândalos do Mensalão vale conferir… Muito mais que antes.

PEÕES – (85 min.) – Documentário sob a direção de Eduardo Coutinho. Na linha de “Entreatos”, Coutinho entrevista os antigos companheiros (as) da “base”, sem nenhuma crítica, pública ou velada ao companheiro que chegou à presidência. Desnecessário elogiar o profissional que é Eduardo Coutinho; no entanto, estão ausentes do documentário alguns diretores sindicais que eram peões, grevistas, piqueteiros, fizeram parte da diretoria cassada pelo regime militar e que hoje estão com a direita, mais ou menos para onde Lula /PT está se dirigindo, nestes meados de abril de 2006. Estão ou estiveram nos mesmos partidos que integram o mensalão: ou seja, PL, PP, etc. O terremoto não pára por aí. Outros edifícios tornar-se-ão escombros…

XINGU – (112 min.) – Documentário produzido pela Rede Manchete de TV, reportagem de Washington Novaes, diretamente da região onde vivem os índios.

CRIANÇAS INVISÍVEIS – Documentário sobre crianças envolvidas em trabalho infantil, prostituição, drogas etc. Retrato contundente e fiel de quem está submetido às regras da exploração capitalista. Na lista: Brasil, China, África ( não é possível identificar o país) , Itália e, como não poderia ser diferente, os EUA. Sete renomados diretores, como Spike Lee, Emir Kusturika, Ridley Scott, entre outros, dirigem os horrores deste caos capitalista. – (124 min.)

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